O Doutor Cavaco foi primeiro-ministro da época política "dourada" da Europa. Mandavam Delors, Kohl e Mitterrand. A sra. Thatcher era um belíssimo contrapeso com um sentido pedestre das proporções. Todos "trouxeram" os EUA para a Europa e levaram a Europa até aos EUA. Com defeitos, não tinham nada a ver com os contabilistas e os paspalhões políticos que há mais de uma década mandam na "Europa". E que, à sua pequena medida, acham que inventaram agora a "Europa". Tudo somado, o Doutor Cavaco - que faz questão, sempre que pode, de mencionar à unidade os Conselhos Europeus a que assistiu - tem a estrita obrigação de saber "como se fez e faz" a Europa. Não é certamente com um argumentário deste jaez: mesquinho, anti-europeu, anti-cosmopolita e típico de uma periferia instintual que julgávamos ultrapassada. Lamentável.
3 comentários:
O que o Sr. Cavaco não diz é que o dinheiro que Portugal emprestou à Grécia não foi para os gregos, foi para desenrascar os bancos portugueses que ficaram a "arder" na Grécia, sendo que um deles ainda por cima foi comprar dívida grega a um banco alemão... Portugal empresta o dinheiro à Grécia, e esta por sua vez paga ao BPI e ao BCP, evitando assim que seja o Estado Português a meter dinheiro nestes bancos directamente a propósito das suas perdas na Grécia.
Grande parte do posicionamento político de Portugal nesta crise tem a ver com o endividamento externo da banca portuguesa, ou não fosse o endividamento privado português - e por essa via dos bancos "nacionais" - dos mais elevados da Europa e do mundo. Problema esse que a Grécia não tem, porque a dívida grega está essencialmente no Estado helénico, não nos agentes privados. E por isso mesmo uma saída do euro por Portugal traria ainda mais riscos para os portugueses do que a saída da Grécia para os gregos. Mas disso ninguém fala em Portugal. É óbvio porquê.
Cavaco fez o que que deve fazer um verdadeiro amigo . Em vez de palmadinhas nas costas que adormecem, um forte abanão para ajudar a despertar .
Mas, afinal os gregos são ou não uns delinquentes creditícios, vulgo caloteiros? Ou, afinal, são uns queridos que fazem o favor de gastar o que os outros amealham?...
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