30.1.13

São os conteúdos


 


Parece que o presidente da RTP vai ser entrevistado na RTP logo à noite, dia 30. Talvez lhe fosse de valia ler o artigo de Vasco Graça Moura no Diário de Notícias. Prende-se com conteúdos audiovisuais, a questão nuclear numa empresa a quem está concessionado o serviço público de rádio e televisão. Mesmo que ao dito presidente o tema não lhe interesse, a alguém que saiba da coisa devia interessar. «A televisão do Estado deve ser obrigada a prestar o serviço público exigente e variado que as televisões privadas não prestam e portanto tornar-se um instrumento privilegiado do acesso dos cidadãos à cultura e aos seus bens. Esse objectivo, todavia, não pode resolver-se de uma penada, embora tal penada, enérgica e sem rodeios, seja necessária. É preciso formar ou encontrar gente que saiba conceber, produzir, realizar e apresentar programas culturais sugestivos e em condições de fixarem segmentos significativos da audiência. É preciso ultrapassar uma fase da reportagem futebolística e das dissertações sobre as malfeitorias do árbitro e as qualidades dos treinadores ou de uma experiência cada vez mais deprimente nas áreas dos concursos e do nacional-cançonetismo. É preciso desenvolver a capacidade de tratar temas de literatura, de história, de história da arte, de artes plásticas, de música, de teatro, de cinema, de dança, etc., etc., com qualidade e dignidade, apresentando cânones mínimos, variando ritmos e enfoques de abordagem, dialogando com textos e imagens do passado e do presente, interessando com regularidade as audiências numa série de realidades e valores que lhes dizem directamente respeito.»


 


 


Adenda: Acabei por apanhar o fim da conversa citada. A coisa oscilava entre pistolinhas de brincar, o carnaval, a simulação de "suicídio" público com a referida pistola de plástico. Uma imagem que vale mais do que mil palavras.

4 comentários:

PSC disse...

500% de acordo!!! Mas, infelizmente, A UTOPIA!

Anónimo disse...

Ou seja, depois de todo este tempo todo vamos reestruturar e daqui a 15 anos faz-se o balanço para ver se deu resultado. Ou haverá alguém que acredita que se pode submeter um monstro cheio de vícios à virtude e ao abandono de telenovelas e concursos ordinários em prime-time sem o perigo de o regime político e o comité entrarem em convulsão nervosa?

domedioorienteeafins.blogspot.com disse...

Esperemos que o serviço público de televisão possa, em breve (o que duvido), apresentar muitas das matérias referidas no texto de VGM .

Vasco disse...

O Estado não deve obrigar a televisão do Estado a coisa nenhuma, porque um Estado não deve possuir televisões nem financiá-las em modalidade alguma.