22.1.13

Do céu, um cisne


 


Quando menos (?) se esperava, Portugal, pela voz do ministro das finanças, solicitou em Bruxelas o alargamento dos prazos para solver os empréstimos "troikos" europeus no intuito de facilitar o regresso aos mercados da dívida. Segundo alguns economistas da não esquerda, isto pode traduzir-se por "reestruturação da dívida"o que corresponde à absorção epistemológica da chamada "doutrina do cisne negro" por parte do Dr. Vítor Gaspar. Saúda-se, portanto, como o fizeram os partidos da actual maioria e o PS na base do "alívio" da complicada frente interna. Entretanto, o visionário Roubini disse umas coisas interessantes na gelada Paris. «Ao olhar para os fundamentais económicos da Zona Euro, começando por Espanha mas que se aplica a Itália, Portugal, Grécia e até à Irlanda, os problemas fundamentais não foram resolvidos. Continuam com austeridade, o valor do euro continua muito alto, existe um "credit crunch" e a confiança dos consumidores e o ambiente de negócios é muito medíocre. Os rácios de dívida são ainda altos e, além da dívida e do défice, têm dívidas grandes no sector privado. Por último, sofreram uma perda de competitividade na última década quando os salários cresceram mais do que a produtividade. Provavelmente Portugal precisará de mais apoio da troika e, devido aos seus esforços, deverá recebê-lo. Portugal provavelmente merece. Tal como na Grécia, houve um alívio da dívida, nalguma altura diria que o sector oficial vai ceder para Portugal, seja por redução da dívida, alteração de prazos de pagamento, extensão de maturidades, juros mais baixos. Pode ser inevitável. Não afasto a possibilidade de uma reestruturação progressiva e ordeira. Não vejo isso a acontecer neste ou no próximo ano, mas sem crescimento económico, estes rácios de dívida podem ser insustentáveis. Em comparação com a Grécia, estão num caminho mais certo, mas a recessão continua e o desemprego está muito elevado. Não sei se o acesso aos mercados vai ocorrer tão cedo.» A ver vamos como dizia o cego.


 

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