
Gosto muito deste bocadinho de Jorge de Sena. «Penso que ninguém tem a obrigação de ser o registo civil de tudo que se publica num país. A gente tem sempre tempo de esperar algum tempo, de saber quem é que se afunda e desaparece, quem é que fica. E aqueles que ficam a gente vai ler depois. Não há necessidade de ler todas as semanas tudo o que se publica. Até porque eu acho que todas as literaturas normalmente são feitas de obras notáveis e de obras relativamente medíocres. E se a gente passar todas as semanas a ler 80% de porcarias e 20% de obras boas, a gente acaba por medir as coisas boas pelo nível da porcaria, não é?». Estas percentagens aplicam-se a muitas coisas hoje em dia e não apenas à literatura e aos literatos. Cada vez mais importa evitar medir coisas boas pelo nível da porcaria.
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