
Parece que o FMI "aconselhou" IVA a 23% nos produtos culturais. Julguei que o arraso da restauração nacional já tinha servido de "exemplo" mas, afinal, essas almas peregrinas pós Strauss-Kahn conseguem sempre surpreender-nos. Também há uma "sugestão" qualquer para o vinho o que revela o "conhecimento" que as ditas almas possuem sobre Portugal e a sua história económica. Em breve teremos de optar por nos exibirmos como um cadáver esquisito nos mercados a que muito justamente aspiramos regressar o mais rapidamente posssível, ou por chegarmos lá com um módico de robustez na economia e com outro tanto de confiança das pessoas concretas e das empresas. Por falar em produtos culturais, andou bem o Francisco José Viegas quando se lembrou de Susan Sontag que teria completado 80 anos na semana que passou. «Alguém que conheceu e influenciou o seu tempo – na cena cultural americana poucos o souberam fazer com uma paixão tão dilacerada e contraditória. Procurando estabelecer um equilíbrio entre moral e estética, é provável que nenhuma outra voz tenha sido tão estimulante na sua melancolia e ambivalência – porque sabia (era judia) que nenhuma verdade é absoluta. E, ao contrário dessa ‘contemporaneidade’, procurou um caminho de compaixão, olhando o sofrimento dos outros.» É disto que cada vez mais precisamos (eu, cristão, me confesso), de gente que olhe o sofrimento dos outros.
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