11.1.13

Um estado habitual






«Os portugueses quando não conseguem pagar as contas, pensam imediatamente em conquistar um império, de preferência o império que perderam. E, como são modestos, pensaram logo no Brasil. O nosso alto comando congeminou logo uma estratégia irresistível: importar para Portugal a ortografia brasileira. No momento em que os portugueses escrevessem (o pouco e mal que escrevem) sem consoantes mudas, o Brasil não podia deixar de se render, com uma saudade arrependida e desculpas rasteiras. Mas, como a humanidade é má, em particular no hemisfério sul, o Brasil terminantemente recusou o nosso audacioso "acordo ortográfico" e deixou Portugal sem consoantes mudas, pendurado numa fantasia ridícula e sem a menor ideia de como vai sair deste sarilho: um estado, de resto, habitual.»


 


Vasco Pulido Valente, Público

4 comentários:

jota disse...

E em Portugal nunca haverá um politico que diga: Enganei-me , isto foi uma parvoiçe... estávamos melhor antes e como tal voltamos a forma inicial e assunto resolvido.. já agora as minhas desculpas a todos os que falaram contra e que me recusei a ouvir...

fado alexandrino disse...

Continuo sem perceber porque que quase toda a gente agora está contra (e muito bem) leio que não está em vigor e cada dia uma publicação esclarece que acabou de "aderir" ao Novo Acordo.

S.Guimarães disse...

Pois é !
A subserviência e falta de vergonha tem destas coisas. Os "intelectualoides" portugueses quiseram ficar de cócoras e tiveram a resposta adequada dos seus "amos". Ao que chega a hipocrisia destes paraquedistas e "polidores" de línguas.

isabel de Deus disse...

Continuo a achar que é preciso detectar e desmascarar os lobbies que vão mantendo esta aberração e lucrando com ela.