19.1.13

Uma questão de respeito

Rui Calafate: «Miguel Sousa Tavares chama-lhe hoje no Expresso o «desastre ortográfico». E o que é certo é que o Acordo celebrado não interessa a ninguém. Não deixaremos de escrever como escrevíamos, os puristas, pois não concordamos nem achamos aceitável que isto vá para a frente quando o próprio Brasil, não o aceita para já. «Um país que se humilha para agradar a terceiros, arrisca-se a nada recolher em troca, nem a gratidão dos outros, nem o respeito dos seus. Apenas lhe resta o ridículo», escreve MST e eu subscrevo.» Eu também. É fundamental que haja um impulso institucional para pôr cobro a esta situação caricata, bem mais séria do que uma alegada "mudança estrutural" que representaria o gesto inútil de pedir facturas por tudo e por nada. O famoso "acordo" não é apenas uma questão da "cultura" ou de cultura. É uma questão nacional, de património imaterial indisputável, em suma, de uma sociedade que deve começar por se respeitar a si própria se pretende o respeito dos outros.

1 comentário:

isabel de deus disse...

Por uma vez, acho que MST foi brilhante no artigo referido. E sim, é preciso que haja alguém que nos defenda disto. Já alguém imaginou o desespero de um professor de Português perante a obrigatoriedade de ensinar mal a língua que ama e que é a sua? Até quando seremos obrigados a espalhar algo que é fruto da ignorância arrogante? Alguém imagina o que é Camões ou Pessoa em "ortografês"?