Parece-me imprudente confundir um relatório dito técnico com uma "reforma" política. Sobretudo quando esse relatório contém uma espécie de subtexto que "separa" os portugueses entre os portugueses que estão investidos em funções públicas e os portugueses que não estão. Ou entre os que estiveram e os que trabalharam sem ser em funções estritamente públicas. Uma "reforma" política, designadamente das chamadas funções do Estado, deve ser feita com ponderação e equilíbrio e não sob o signo do curto-termismo. Coisas como a qualificação das pessoas, das instituições e do território, a cultura, a economia, o ambiente ou o emprego e o pós-emprego, etc. etc., estão justamente no cerne das ditas funções, seja por acção ou por omissão do Estado, isto é, quando é determinante que intervenha ou não. Nada disto pode, por consequência, escrever-se exclusivamente em "financês".
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