O ministro Miguel Relvas esteve na RTP a falar da RTP. Outro ministro, Paulo Portas, esteve no MNE e alegou regras de funcionamento do Conselho de Ministros para não falar da RTP. Miguel Relvas tem a tutela técnica da RTP e imagino que, depois de ter visto quebradas as referidas regras nos jornais online e nas televisões, entendeu dever explicar publicamente duas ou três coisas. Desde logo que nenhum dos partidos da coligação, a começar pelo maioritário, o PSD, abdicou do seu programa relativamente à empresa em causa. A saber, o PSD favorável à privatização (mais adequadamente, reprivatização) de activos da RTP, v.g., uma licença de exploração de um canal generalista, o CDS mais inclinado a manter o que está em versão "mais magra" ou "meio-gorda" conforme as preferências. Depois, que o que ficou consagrado no programa do governo é um compromisso entre o que antecede e que se resume a duas frases singelas: «O Grupo RTP deverá ser reestruturado de maneira a obter-se a uma forte contenção de custos operacionais já em 2012 criando, assim, condições tanto para a redução significativa do esforço financeiro dos contribuintes quanto para o processo de privatização. Este incluirá a privatização de um dos canais públicos a ser concretizada oportunamente e em modelo a definir face às condições de mercado.» A primeira parte está em curso desde que o governo tomou posse e só assim se explica a redução do subsídio estatal (vulgo indemnização compensatória) nos últimos três exercícios, contando com este (2013): 89, 73 e 42 milhões de euros respectivamente. A segunda parte - "privatização de um dos canais públicos a ser concretizada oportunamente e em modelo a definir face às condições de mercado" - prende-se com o contexto económico geral, agora ponderado, que prevaleceu. Prévio a tudo isto, insisto, está a ideia de conteúdos de serviço público de rádio e de televisão. Algo que tende a perder-se nestes barulhos recorrentes sobre uma empresa de audiovisual que tem de passar por um processo de reestruturação, à semelhança do que está a acontecer, com menor impacto mediático (por que será?), nos dois operadores privados. Foi disto, julgo, que Miguel Relvas essencialmente falou. Aqui chegados, as coisas em matéria de modelo de gestão da empresa RTP versus contéudos de serviço público correram sempre bem nestes últimos tempos? Não. As coisas dentro da RTP estão a correr bem aos olhos da opinião pública ou sem ser da opinião pública? Também não. Mas isso fica para outro exercício de interpretação.
3 comentários:
Peço desculpa por fazer de Maya com calças bem entendido.
A legislatura vai acabar sem se privatizar/dar/emprestar/encerrar a RTP.
O mandato da Câmara também vai acabar sem se concluir o plano de urbanização da Praça de Espanha.
Adianto mais duas novidades.
Os próximos dois mandatos em cada um destes fará exactamente o mesmo.
A RTP deve continuar pública mas não ao serviço dos governos de ocasião. Reduzi-la á dimensão necessária para nos ser útil nessa qualidade. Não tem que entrar na guerra de audiências, nem espelhar e repetir o que as privadas fazem á distância de um botão de muda. Que sirva para nos instruir e não para embrutecer.
Para mim o essencial já foi feito. A RTP já custa menos de metade. Reestruturar tira-lhe outro tanto. A RTP gastava tanto num mês como um hospital de 200 camas custa num ano.
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