
Portugal foi o primeiro país da União a ratificar o chamado "tratado orçamental" cuja aprovação no Conselho Europeu teve lugar o mês passado. Se descontarmos a noite de quinta para sexta (de uma forma geral passada a dormir), o "debate" doméstico sobre o "tratado" reduziu-se, para aí, a cerca de duas horas. Em França, por exemplo, o "debate" entra a fundo nas eleições presidenciais. Se Sarkozy for substituído por Hollande, o "tratado" poderá estar ameaçado na sua vigência tal como se encontra redigido. Todavia, e uma vez que por cá o assunto já está arrumado (falta a chancela do PR que decerto honrará o "consenso"), permito-me repetir o que aqui sempre se escreveu desde que se começou a falar em "constituição europeia" ou no "tratado de Lisboa". A Europa da primeira década do século XXI, mais do que défices económicos e financeiros, possui um terrível défice de cultura democrática. A crise só o agravou e pretextou estes desenvolvimentos "legais" destinados, sobretudo, a remover a política da cena europeia. Nem que seja para "vingar" a política - mesmo a federalista - e desejar o seu rápido regresso, que Hollande (mesmo chochinho) vença.
2 comentários:
a europa está irremediavelmente falida devido ao modelo social e falta de desenvolvimento para o sustentar.
neste momento estou a lembrar-me da dieta de gafanhotos de S. João Baptista.
os insectos herbívoros são devorados pelos carnívoros
'ofe corse indide'
Mais do que económico e financeiro, o défice é espiritual, no mais amplo sentido da palavra. Ou, se quisermos, cultural, civilizacional.
Se não arrepiarmos caminho, e possuo fundados receios, o naufrágio será inevitável.
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