Explicada a formas de vida inteligente neste belíssimo texto do António Barreto. «Em tudo o que perdemos, em nome do progresso, incluem-se valores e tradições, culturas e liberdades, costumes e sentimentos cuja falta se faz sentir em permanência. A globalização, a metrópole, as massas, a rapidez, o automatismo, a competitividade e a uniformidade geraram valores contrários à comunidade humana, ao pensamento, à qualidade estética, ao brio e à compaixão. Nem sequer a dimensão do que se ganha é suficiente para esquecer o que se perde. Pode até ganhar-se mais, em proporção, do que se perde. Mas o que se perde é, muitas vezes, uma amputação de humanidade e de cultura (...). A coesão social é isso mesmo, o que junta os diferentes, mantendo-os, não os eliminando. A coesão que destrói diferenças, esbate interesses e remove contradições é uma coesão imposta, isto é, uma forma de despotismo. A coesão não implica unanimidade, nem consenso absoluto. Coesão implica justamente a ligação de diferentes. E implica liberdade e direitos humanos que fortalecem a coesão. A solidariedade, a associação e a entreajuda são infinitamente mais fortes quando repousam numa cultura forte de direitos individuais. Por isso sentimos, com razão, que a coesão social é factor a preservar em tempos de crise e transição. Sem coesão, podemos esperar o pior. Com coesão, para a qual devem contribuir cidadãos e autoridades, indivíduos e empresas, seremos capazes de muito.»
3 comentários:
Não mudem a Lei da Nacionalidade não que a coesão irá pela cloaca abaixo.E com ela muitos dos humanistas conhecidos...
Não li o texto integral de António Barreto, mas concordo plenamente com a afirmação em que refere que o que perdemos, em nome do progresso, não é compensado, proporcionalmente, com o que, com o mesmo, eventualmente ganhámos. EM TODOS OS ASPECTOS.
Nunca poderá haver o respeito pela individualidade no contexto de uma coesão simbiótica se não houver uma revolução cultural que dirima séculos de atraso nas mentalidades. Os 50 anos vividos em 5, de acordo com Barreto noutra obra´, só o foram na aquisição material e na avidez pelo consumo, mas as mentalidades mantiveram-se, só mudaram as vestes. Ainda bem que muitos membros deste Governo são de naturalidade Africana- os horizontes são mais vastos!
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