
É preciso efectivamente pregar a paz universal e a fraternidade entre os homens, de boa e de má vontade. Como o nome indica, o princípio é difícil de aplicar numa guerra onde existem vários lados. E, dentro de um dos lados, mais lados. No Norte de Angola, por exemplo, a UPA, depois FNLA, era um desses lados de um dos lados. Anos mais tarde, representantes desse lado sentaram-se com os outros lados - o nosso incluído, uma vez que isto era uma nação pluricontinental, no seu todo, como afirmou Spínola, na madrugada de 26.4.1974, na Rtp - para aplicar o sobredito princípio. Não vieram mortos, de morte matada, à colação. Ou seja, os abraços e os acordos não incluíam pedidos de desculpa. Nem na Guiné, nem em São Tomé, nem em Moçambique. Porquê? Porque já não havia inimigos, ou na língua de pau em vigor, irritantes. Na guerra, claro, fosse lá o lado que fosse, não se limpavam propriamente armas. Usavam-se. De todos os lados contra todos os lados. Em abstracto, podemos perguntar se os “pactos de silêncio” de uns são mais “pactos de silêncio” do que os de outros. Ou menos. Os nossos representantes políticos, quando se deslocam a esses países africanos que foram Portugal, continuam a representar Portugal na sua complexidade histórica que já não é geográfica. Não representam mais ninguém. Nem pedem desculpa por essa representação, valha a coisa o que valer.
7 comentários:
Desconheço essa realidade, será que me podia dar mais informação
João Felgar
Por uma questão de honra o Dr. Costa devia dizer-nos onde estava e o que fazia durante os confrontos em Moçambique respeitantes à guerra do Ultramar.
E mais ainda, a quem servia no caso de ter envergado um uniforme militar.
Não, o doutor costa não pode dizer nada.
Ou o senhor ainda não percebeu que esta gente não vai à tropa?
Pé chato, ou lá o que é...
Mais um propagandista viciado em patetices. Irresponsável no mínimo. Não contando milhares de civis chacinados de forma bárbara, mais 10.000 militares mortos e mais de 90.000 feridos.
Temos um paskim a desgovernar.
A parte mais escandalosa é que os senhores jornalistas não lhe fazem cara a cara as perguntas que queimam, e ainda por cima o deixam rodear as questões por mais mansas que sejam.
E quem vai pedir desculpa pelo desgoverno cá no burgo?
Nem no ano 2100,isto está entregue a uma trupe de circo ambulante que só pede desculpa pelos outros.
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