12.9.22

Vítor Manuel Aguiar e Silva

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Leio que morreu o professor Vítor Manuel Aguiar e Silva que, nas últimas obras, assinava Vítor Aguiar e Silva. Foi professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra da qual a estupidez oportunista "abrilista" o expulsou. Era exigente, como soía ser-se, mas, na opinião de um seu antigo aluno de lá - que passou para Lisboa onde acabou catedrático também -, e meu amigo, Joaquim Manuel Magalhães, foi o seu melhor professor em Coimbra. VMAS pertenceu a uma estirpe da crítica literária académica em extinção. "Dialogava", nos seus livros, com aqueles que analisava sem melindrar ninguém, e sem perder um átomo da argúcia interpretativa. Pegue-se, por exemplo, em "Camões - labirintos e fascínios", com Sena e Hermano Saraiva, ou somente com o primeiro, no notabilíssimo "Jorge de Sena e Camões". Explorou pioneiramente, podemos afirmá-lo sem hesitações, a teoria da literatura que desenvolveu em ensaios recheados de boas intuições na, agora, sua última e magnífica obra "Colheita de Inverno". Foi prémio Camões em 2020. O filistinismo atirou-se-lhe rapidamente por causa do "passado". Os brutos nunca leram, com certeza, nada de nada do Prof. Vítor Manuel de Aguiar e Silva. Mas foram logo a correr “lembrar” a sua passagem pela antiga Assembleia Nacional onde foi deputado. Não foi sequer ministro ou secretário de Estado, ao contrário de outros “professores doutores” que o actual regime “recuperou” em ministros, deputados, presidentes de partidos, “senadores” da República e membros do Conselho de Estado. Não. Aguiar e Silva, felizmente para ele e para os seus alunos e leitores, dedicou-se à sua obra virtuosa, que fez nossa, isto é, de quem não se fica por rodapés e indexes. Trabalhou ainda com a Universidade do Minho que estará certamente de luto. Eu, seu mero leitor atento, limito-me a curvar-me respeitosamente diante da sua obra e memória. 

1 comentário:

Rui Gonçalves disse...

Uma certa ironia em o seu dicionário ter sido publicado pela Caminho|LeYa. Mas muito bem junto a outros dois, o de Camilo e o de Eça.