10.9.22

Aguardemos

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Estive a ler transversalmente, no "Telegram", canais pró-russos que acompanho (para pró-ucranianos basta ler qualquer coisa portuguesa ou ligar a tv). Estiveram, pareceu-me, um bocado histéricos este sábado, dia 10. Li em alguns que era preciso declarar guerra à Ucrânia que a coisa não vai lá com "operações militares especiais". Aparentemente, algum jornalismo russo "deprimiu-se", valendo isso o que vale na Rússia.


Sucede que, em matéria comunicacional, esta guerra também vive muito do "whishful thinking", fora o trânsito típico da agitprop de falsidades, meias-verdades e acção psicológica onde o presidente ucraniano vagueia como peixe na água.


Com estas cautelas, talvez se possa dizer que os resultados dos ataques ucranianos na região de Kherson e Kharkov só poderão ser minimamente  avaliados, com um módico de seriedade, nos próximos dias e semanas e não em cima de qualquer joelho.


Por outro lado, a chamada contra-ofensiva coincide com a visita do chanceler alemão a Kiev (já lá está a MNE) e com um novo pedido ucraniano - dirigido aos Estados Unidos - para a compra de gás destinado a fazer face à invernia. Ao juntar no mesmo pacote alguns factos, "whisful thinking" e mistificações, Kiev parece querer persuadir,  pressionando, os governos ocidentais, as forças políticas e a opinião pública que os "sacrifícios" económicos para o esforço de guerra impostos à Ucrânia e à maioria dos ucranianos estão longe de ser inúteis.


O que é certo é que as forças russas perderam algumas pequenas cidades, o controlo de uma parte de algumas linhas terrestres e algumas dezenas de kms de território na região de Kharkov. A retirada, aliás, se salvou as forças russas da tentativa de cerco em Izyum, atirou a sorte dos cidadãos pró-russos locais para o ar, muitos deles a procurar refúgio, em fuga, para a Rússia.


As perdas russas em homens e meios parecem, para já, limitadas, enquanto que para as forças ucranianas a "contra-ofensiva" terá tido um custo enorme em recursos humanos e materiais. O contra-ataque russo será, pois, inevitável sendo que, até agora, nada existe que sugira que os sucessos táticos, relativos, de Kiev alterem o resultado geral da guerra,  certamente destinada a durar muito tempo, com uma perspectiva de fundo não exactamente favorável à estratégia envolvente de Zelensky. Aguardemos. 

3 comentários:

Ana Cristina Leonardo disse...

Bom resumo.

passante disse...








João Felgar disse...

Boa análise, ainda temos 3 anos de guerra, é melhor aguardar