12.5.15

Um cesarismo indesejável


 


Comecei a ler este livro de António M. Feijó. Lamentavelmente, e para meu espanto, vem impresso em "acordês", uma coisa a que dedicarei a crónica do Portugal em Transe no Jornal de Notícias de amanhã, dia em que o aleijão ortográfico passa a "obrigatório". Será porque a editora é a Imprensa Nacional-Casa da Moeda e deve dar o "exemplo", nem que seja o mau? Relembro a posição de Feijó sobre o dito cujo e, dela, esta significativa passagem. «Não há qualquer acordo ortográfico entre países de língua inglesa, nem poderá havê-lo. A língua inglesa nem mesmo é língua oficial dos Estados Unidos, sendo as tentativas de legislá-la como tal sistematicamente recusadas pelo Congresso. A inexistência de uma língua oficial implica que, em qualquer comunidade em que haja uma significativa comunidade de falantes de um idioma que não o inglês, os documentos oficiais devam escrever-se nesse idioma, bem como em inglês, enquanto idioma mais falado no país. O critério é aqui pragmático e político, o do necessário reconhecimento democrático de uma realidade local. Arrogar-se o Estado legislar sobre intangíveis como a língua, que na realidade o excedem, seria uma extensão abusiva das suas funções. Numa altura em que, em Portugal, se procura definir com parcimónia quais as funções do Estado, a sua extensão a um domínio como a língua é uma forma de cesarismo indesejável.»

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