O dr. Passos foi entrevistado pelo hebdomadário Sol. As frivolidades estilo "sms ou carta" podem vir a dar matéria para um livrinho com, pelo menos, 220 páginas e índice onomástico, mas não interessam nem ao Menino Jesus. Para memória futura, porém, interessa saber que o primeiro-ministro e líder do PSD recusa, e bem, "blocos centrais". E que desfaz, igualmente bem, o triste fado do "arco da governação": «no actual contexto, não há nenhuma hipótese de um Governo juntando PSD, CDS e PS poder sequer funcionar.» Já numa outra matéria, a do sigilo fiscal, sai-se bem e mal. Bem quando afirma «que o Estado, o Fisco, a Administração Tributária têm obrigação de proteger os dados fiscais dos contribuintes». Mal quando acrescenta que «os contribuintes não estão todos em igualdade de circunstâncias. Vários deles suscitam uma curiosidade e um interesse maiores do que outros. Nesse sentido, uma lista ou um filtro para aqueles que estão numa primeira linha de exposição pode fazer sentido.» A declinação orwelliana implícita de que "somos todos fiscalmente iguais mas uns são mais fiscalmente iguais do que outros" é abstrusa. Uma assuada de café pode, por este critério, "exigir" o seu "filtro" ou a sua "lista". E assim sucessivamente. Para quê insistir em impropriedades?
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