«O sentimento de catástrofe política voltou: no final do PREC e, pouco a pouco, volta agora, à medida que a sociedade se dissolve, o discurso público se torna radicalmente absurdo e cresce a impotência do regime. Nenhum partido, à esquerda e à direita, tem a força e clareza de ideias para nos devolver destino. Sucede que muitos pedem “confiança” ou “prudência”, mas não existe “confiança” ou “prudência”, quando de lado a lado as promessas se tornaram, de facto, em “apostas”, quase sempre insensatas, que por si bastavam para arruinar a República. O sr. Cavaco Silva devaneia, enquanto vai enfraquecendo e restringindo o seu próprio poder. O primeiro-ministro apura a sua própria personagem para consumo eleitoral. O chefe da oposição anda perdido num pequenos caos de planos, de propostas, de medidas, que perturba toda a gente e não esclarece ninguém. E o cidadão comum, se não desistiu já de se interessar, espera com inquietação que Portugal estoire sem aviso e sem remédio. Um dia ouviremos na televisão que a desgraça já está em marcha e nesse dia ninguém nos virá salvar.»
Vasco Pulido Valente, Público
Sem comentários:
Enviar um comentário