
Com o governo em mera gestão corrente, o dr. Passos só vivifica politicamente com a impossibilidade e não admite que terceiros tentem, mesmo errando, ir além dela. Deve, aliás, ter sido o primeiro político mundial a fazer tremelicar o novo primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, a par com o sempre inspirado dr. Lima. O chefe do nosso governo, invariavelmente desastroso nos seus improvisos moralistas, "ameaçou" o homólogo com o fardo do austeritarismo e o não menos fantástico "tratado orçamental". Falou, até, em "contos de crianças". Não se deu, porém, conta que presumivelmente ninguém, mesmo antes das Linhas de Torres Vedras, lhe presta a mais vaga atenção. Nem a ele nem ao atarantado dr. Costa. Mas se o dr. Passos estava a falar para os autoctónes, então a coisa é um pouco mais séria. Quer dizer que tenciona não apenas continuar a pregar o retorcido evangelho dos "pobrezinhos e honrados" como fazer dele uma cartilha eleitoral da putativa maioria renovada nos seus desamores e enlaces improváveis. O que não deixa de fazer algum sentido. Sentou-se, impávido e silencioso, em todos os Conselhos Europeus previamente "decididos" pela admirável senhora Merkel. Acatou e, no que pôde, mais do que acatou o que a senhora o mandou fazer. Qual prestimoso devoto, achou agora por bem fazer de prolegómeno ambulante da senhora. Custa-lhe entender uma Europa diversa de soberanias. Deve mudar rapidamente de explicadores.
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