20.1.15

"Essa classe humana que é necessariamente numerosa"


 


Este é um abraço em forma de post dedicado ao Manuel Maria Carrilho que eu trato invariavelmente por professor e que estimo como amigo. Os autores são também do seu agrado. E são sempre actuais na sua acutilância. Como Jorge de Sena, numa entrevista: «Sou uma espécie de exilado profissional. Eu acho que já o era em Portugal, antes de lá sair, visto que tantos acharam que eu era uma pessoa horrorosa, altamente incómoda, desagradável, etc., etc. – e apesar dos muitos amigos, eu tinha criado à minha volta um grande isolamento. Mas devo dizer que nunca senti este isolamento inteiramente porque o meu isolamento foi sempre o isolar-me dos medíocres, procurar não ter contacto com essa classe humana que é necessariamente numerosa… Aliás foram sempre eles as pessoas que menos gostaram de mim (...) Não perdoo a ninguém a mediocridade, a estupidez, a vileza, a malignidade, a incultura, a suficiência, a intolerância, o espírito de compromisso, a cobardia moral.» Ou como Carlo Cippola, em Allegro Ma Non Troppo, sobre as cinco leis da estupidez humana: «1ª - Cada um de nós subestima sempre e inevitavelmente o número de indivíduos estúpidos em circulação; 2ª - A probabilidade de uma certa pessoa ser estúpida é independente de qualquer outra característica dessa mesma pessoa; 3ª - Uma pessoa estúpida é uma pessoa que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem que disso resulte alguma vantagem para sí, ou podendo até vir a sofrer um prejuizo; 4ª - As pessoas não estúpidas subestimam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem-se constantemente que em qualquer momento, lugar e situação, tratar e/ou associar-se com indivíduos estúpidos revela-se, infalivelmente, um erro que se paga muito caro; 5ª - A pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigosa que existe.»

2 comentários:

Miguel disse...

Essa entrevista de Sena encontra-se em algum livro?

JG disse...

Sim. Precisamente um livro intitulado Entrevistas nas Obras Completas editadas pela Guimarães/Babel.