
Os resultados das eleições italianas representam uma clara derrota da "Europa". Dois comediantes - um oficial e outro fruto das circunstâncias - "empurraram" o delegado de Bruxelas em Roma, o circunspecto Monti, para um humilhante quarto lugar. O "povo" não apreciou a austeridade decidida nos infinitos conselhos "decisivos" e nas não menos "decisivas" video-conferências tecnocráticas que relegaram a política para a sarjeta. Ora em Itália a política vive em estado de permanente originalidade e os mortos-vivos de véspera podem ser os duce do dia seguinte. Por cá tendemos a fingir que a política, afinal, não interessa e que o que importa é as checklists baterem certinhas no fim. Todavia, se alguma "lição" se deve tirar do que se passa em Itália é exactamente o contrário da suposta "infalibilidade" de quaisquer receitas em ambiente democrático. Na altura em que decorre mais uma avaliação doméstica do "programa de ajustamento", conviria "ajustar" politicamente quer a avaliação quer o programa. Porque se isso não acontecer, mais tarde ou mais cedo a realidade encarregar-se-á (e talvez já não tão delicadamente como até aqui) de "ajustar" tudo de uma vez só.
2 comentários:
O que se passou em Itália é uma lição.
CHEGA DE EPIFANIAS, PEGAI NA TABUADA
Passemos sete vezes uma gargalhada em torno de uma instituição e ela rue-se , ensinou-nos Eça. Será por isso singularmente patriótico rir a bom rir e fazer ruir a prosápia de sete-avaliações-sete repletas de contradições e omissões - a avaliar pelo timbre uníssono das seis primeiras. Avaliações essas, que em bom rigor consistem em peças magníficas de um julgamento em causa própria, destinado a revalidar a crença indígena nas fabulosas modelações teóricas de Washington, Frankfurt e Bruxelas. Avaliações essas, seladas a lacre por uma equipa de ilustres amanuenses anónimos. Avaliações essas, previsíveis e oficiosas, onde nunca couberam quaisquer referências, ténues sequer, ao trinómio vital, investimento-crescimento-emprego . Os modelos matemáticos de ciência divina - e os famosos multiplicadores embriagados - são comprovadamente avessos a elementos exóticos, como o investimento, a criação de riqueza e a criação de emprego. Pois bem, este é o momento de os smart guys " porem termo à sua gloriosa epifania e arrumarem a toy story " no baú dos "souvenirs" de Portugal. Será talvez tempo de os génios pegarem no lápis, na tabuada e fazerem as contas á mão. Serão contas mais confiáveis e poupar-nos-ão à dor de assistir à demonstração genial de que, afinal, dois e dois não são quatro.
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