2.2.13

as coisas são o que são






«O governo folga com o desencadear desta crise no PS, e o seu horizonte aparece mais desanuviado no imediato, mau grado a epidémica substituição de secretários de Estado, que tão bem caracteriza o executivo da coligação. Assim, o governo foi ‘aos mercados’ e voltou com um empréstimo estimado em 2500 milhões de euros e com taxas de juro a rondar os 5%, enquanto a Irlanda havia conseguido um parecido, mas com taxas de juro inferiores à da média das praticadas pelo cabaz da troika em determinadas maturidades. De qualquer maneira, a coligação averbou uma primeira vitória junto da opinião pública. Além desta operação financeira na frente externa, Passos Coelho mexeu--se na frente interna e aproveitou bem o impasse criado na questão da RTP para oferecer a Portas um passeio triunfal, que só pode criar embaraços ao líder do CDS no percurso do seu calendário político. Deste modo, a coligação no poder sedimenta-se, enquanto o maior partido da oposição se debate com uma crise interna num país à deriva e insatisfeito com o governo. Uma situação paradoxal pouco tratada nos manuais da arte política.»


 


Medeiros Ferreira, CM


 


 


«Era Churchill quem dizia que os inimigos se encontram dentro do mesmo partido. O conflito entre visões do mundo, por muito duro que seja, define apenas adversários. A hostilidade é mais íntima. É entre indivíduos que disputam o mesmo espaço vital. Que partilham uma ambição, onde dois é já uma multidão. Pedro da Silva Pereira - que durante muitos anos parecia ser uma espécie de alter ego de Sócrates incapaz de sobreviver na ausência deste - aceitou iniciar uma pequena tragédia no Largo do Rato. Fez o papel das três bruxas sinistras que profetizam o regicídio, no Macbeth, de Shakespeare. Mas nem António José Seguro é o dócil rei que se deixa apunhalar nem António Costa parece disposto a entrar no jogo urdido pelos barões socialistas que, sem nunca terem pedido desculpa por terem lançado o País nas mãos da troika e dos seus representantes permanentes em Lisboa, já se apressam a correr para uma oportunidade de mais lugares de mando. Lugares que não merecem pela manifesta incompetência e falta de mérito.»




Viriato Soromenho-Marques, DN

1 comentário:

Ajom Moguro disse...

O que me chateia, é que salvo raras excepções, estamos a ser conduzidos por uma série de pára-quedistas que nos caíram do céu aos trambolhões. Chegaram á esfera do poder feitos doutores sem sabem ler ou escrever. Uma boa parte deles, que nem chorudas reformas descuidam, se tivessem iniciado a juventude na turma do pé descalço não chegariam a medíocres serventes de pedreiro, onde para sorte nossa abunda gente de muita boa qualidade. Que sociedade é esta ao permitir que uma casta de figurões se tenha entrincheirado num casulo em exclusividade para se governar distorcendo o bom nome da democracia e fechando todas as portas de participação ao cidadão comum? Bastava um enérgico encosto e nem disso somos capazes.