De uma forma inteligente, o Presidente da República deu uma hipótese ao parlamento de resolver o problema político e jurídico - por esta ordem - da limitação dos mandatos autárquicos. Aparentemente o parlamento não tenciona mexer uma palha e, assim sendo, vale a lei em vigor. E a letra da lei é muito clara - ao contrário do famoso "legislador" que usou a chamada "técnica da meia-dose" para deixar clareiras de ambiguidade interpretativa - no sentido de não permitir a existência, na prática, de uma profissão que não existe, a de presidente de câmara ou de junta de freguesia. À boa maneira portuguesa da esperteza saloia, pretende-se que nada impeça que floresçam aqui e ali pequenos salazarinhos autárquicos que saltitem, alegre e eternamente, de câmara em câmara sem limites temporais como, por exemplo, os impostos ao PR. Um módico de ética e de bom senso políticos, aliás, bastaria para que as criaturas percebessem o que deve ser a contingência do exercício de funções públicas eleitas. Uma dessas criaturas, sem se rir, até se louvou no Presidente para dizer que este "destruiu" argumentos contra a sua candidatura o que diz tudo do propósito que o anima: não interessa o conteúdo (no caso, pequenino) mas a forma que o "salva". Mais coisas que são o que são.
1 comentário:
"ética e de bom senso políticos"
Cada vez é mais evidente que quem os tem não se junta a essa gente.
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