18.2.13

As benevolentes

«Seguro anda em correria pelo país, os comentadores e as "comentadeiras" não se cansam de rezar a verrina diária contra o governo, os Peppone arrastam-se em marchas, os grevistas fazem greves, S. Bento continua com as Grândolas Vilas Morenas e até a fragilíssima Catarina Martins do BE faz propostas para a saída da crise. O protestarismo de sempre, o reaccionarismo patego, a má-fé conjugados em propósitos golpistas; eis a nossa oposição. Entre os futebóis e a croniqueta das lamúrias, os senhores jornalistas minimizaram o facto mais importante da semana. Álvaro Santos Pereira meteu uma lança em África, conseguiu o acordo com os argelinos para a construção por empresas portuguesas de 75.000 (sim, setenta e cinco mil) casas, um bolo de 4 mil milhões de Euros (4.000.000.000) que vai aliviar a crise no sector da construção civil e garantir emprego por quatro anos a centos de técnicos portugueses. Ninguém diz nada. Não há um louvor, um gesto de simpatia. Este país está, decididamente, a afogar-se na patologia derrotista e só dá ouvidos aos profetas da desgraça, por acaso os profetas que nos trouxeram ao desastre. Temos um grande ministro da Economia, como temos um excelente ministro dos Negócios Estrangeiros. Mas isso não interessa aos abencerragens de sempre, aqueles que confundem economia com subsídios, mão estendida em concha, mendicância e chupismo dos Euro-fundos.»


 


Miguel Castelo-Branco, Combustões

3 comentários:

Alblopes disse...

Mas que artigo excelente!E que bom tê-lo transcrito neste blogue!

Anónimo disse...

A comunicação social já foi o retrato do que são os portugueses. Presentemente, é o retrato do que são os piores portugueses.

murphy disse...

(desde já peço dsculpa pela grosseria...)

Neste fim do mundo deprimente não faltam candidatos a "tomar no..."
http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/01/titulos-vs-corpo-de-noticia-um-tratado.html