«A última tese sobre a qual há de repente grande concordância no chamado centrão é que este subsistema [a ADSE] é caro para o Estado, coisa que nunca é demonstrada, porquanto é financiado pelos descontos normais nos vencimentos e, mais ainda, por uma comparticipação dos funcionários públicos que o entendam, já que a isso não são obrigados. No fundo não há praticamente nenhuma diferença entre isto e o que se passa com quem tem no privado um seguro de saúde. No entanto, assiste-se a uma pressão enorme para acabar com o subsistema, alegando-se mas nunca se demonstrando que é mau para o Estado. Na realidade a ADSE é um sistema convencionado que existe desde 1963 e que traduz bem como o Estado e o privado podem juntar-se e funcionar a bem de um grupo social muito alargado. Não se vendo como o SNS poderia fazer frente a um acréscimo repentino de 1,3 milhões de utentes, é lícito perguntar que tipo de interesses podem existir por detrás da campanha. Podem até ser elementares. Como os seguros privados estão a perder clientes, uma transferência em massa dos utentes da ADSE para o SNS não deixaria por certo de levar a uma maior procura de seguros de saúde privados. Certo ou errado?»
5 comentários:
Faltou mencionar um aspecto, a ADSE co-financia o SNS com as receitas dos seus subscritores, pois de cada vez um utente do serviço entra num hospital público este a seguir factura o serviço ao subsistema. De futuro, deixando o SNS de ter a quem facturar, passa a ter de suportar a despesa dos trabalhadores em funções públicas que lá aparecem, na totalidade. Mais ainda, numa época em que se fala tanto em co-pagamentos, e estes trabalhadores, não esquecer, co-pagam de forma autónoma a sua protecção na doença, estes deixam pura e simplesmente de existir, será que o SNS está assim a nadar tanto em dinheiro? não me parece! Então qual é a lógica disto tudo?
Concordo com o autor do artigo.
Rui Gonçalves.
A propósito de ..."é que este subsistema [a ADSE] é caro para o Estado, coisa que nunca é demonstrada", vale a pena ler "Castas" ( http :/ economico.sapo.pt /noticias castas_160381.htm ).
Será realmente interessante se a ADSE fôr suportada em exclusivo pelos beneficiários. Mas, pelo que entendo de uma consulta em diagonal do Orçamento do Estado para 2012, não parece ser o caso. Na realidade, parece que esses beneficiários não chegam a suportar 40% dos custos da ADSE. É assim?
Caro João,
Talvez não fosse mal pensado antes de falar na ADSE, ver com atenção os dois programas do Medina Carreira em que o entrevistado foi o administrador do HSJ.
Depois gostaria de o ver refutar o que ali é dito.
Cumprimentos.
Ver a primeira página do DN de hoje (3ª feira). Através da ADSE os hospitais privados recebem, salvo erro, 200 milhões do Estado. Já tinha reparado que a nova taxa moderadora das Urgências do SNS coincide com o valor da taxa de Urgência nos Hospitais privados para quem "tem" ADSE. Am I paranoid enough, e a ADSE pode ficar descansadinha?
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