É uma ideia que tem tanto de demagógica quanto de estúpida. A nossa história baseou-se amiúde nessa falácia. O desembarque de Ceuta, em 1415, foi uma formidável manifestação da "técnica" lusa? Foi, mas bastou pouco mais de um século para a "excepção" se desfazer num deserto luminoso do norte de África. No princípio do século passado, os crédulos do Corpo Expedicionário Português lá foram pastar a "excepção" que eles imaginavam representar para a Europa. Não sabiam inglês e escuso de lembrar como aquilo acabou. Salazar alimentou anos a fio uma ideia de excepcionalidade provincial do país, espalhada por vários continentes, apesar do desprezo a que sempre votou os colonos "continentais" que via como meros oportunistas sem o menor sentido de nação (como ele devia rir para dentro aos acordes da "nação valente e imortal"). Este regime também se concebeu excepcional a partir do momento em que se fundou numa revolução sem sangue e com cravos. Não deu "filhos" excepcionais, como qualquer observador superficial das últimas décadas pode constatar sem grande esforço. Mas alguns, coitados, acham-se e andam para aí feitos almas penadas da coisa. Não, não há qualquer "excepcionalidade" portuguesa apesar do esforço primordial da espada do conde D. Henrique cuja utilidade, aliás, ainda está por provar. 2013, esta coisa que começa hoje, provará uma vez mais - como se fosse necessário - que a "excepcionalidade" lusa não existe. É uma fantasmagoria como outra qualquer, sempre pronta a deixar o armário naqueles dias "solenes" em que a regra se confunde com a excepção e a excepção com a regra. Bom dia e boa sorte.
4 comentários:
Significado de Excepcionalidade
f.
Qualidade de excepcional.
Aceita-se que , por vezes, se abusa dessa alegada qualidade dos portugueses e de Portugal.
Mas um pouco de markting não faz mal a ninguém e pode ajudar a promover.
Quam não gosta de si, gostará dos outros?
Bem, não sei.
Homens perfeitos e cultos?! Nem no Elogio da Loucura de Erasmo
Vocemecê, ultimamente, está a puxar a "coisa" muito para baixo.
Não me parece que a noção de "excepcional" implique a obtenção de bons resultados ou sucessos. Há geral concordância em que o Bonaparte foi uma figura excepcional,mas sabe-se que nem ele nem a França se sairam bem daquela aventura. E há uma tendência compreensivel para que cada país se considere excepcional,pois num sentido comum até o é,enquanto diferente dos outros. Voltando ao seu post,não sei se a conquista de Ceuta foi excepcional,mas as navegações dos séculos XV e XVI foram-no pelo domínio de técnicas e artes de navegar que só mais terde chegaram aos outros. Bons resultados? Sempre se discutirá,mas que durante algum tempo as aventuras exploratórias deste pequeno país,afastado dos centros culturais e científicos europeus como sempre esteve,foram notáveis e excepcionais. Quanto à noção de excepcionalidade do Império para Salazar,certamente o era a partir dos anos 60,quando todos os outros agregados coloniais (até o espanhol) entravam em rápida liquidação. Hoje sabemos que foi um erro a manutenção do projecto imperial para alem do seu "prazo de validade",mas excepcional era. Antes de 60 a noção era usada simplesmente como justificação nacionalista,relativamente eficaz. Já a lamentável decisão do envio de um contingente para a I Guerra,não sabia que alguem a tivesse considerado excepcional,pois a preocupação do partido democrático era "juntar-se aos outros",obtendo assim a aceitação do novo regime,e garantindo as colónias,o que aliás sucedeu,mas com sacrfício exagerado. Considerando a história portuguesa no contexto europeu e peninsular,há algo de excepcional na trajectória destes séculos. Não há que embandeirar em arco por tudo e por nada,mas tambem não nos "mediocrizemos" desnecessàriamente.
Como é evidente, existe a tal excepcionalidade que ainda não consegues ver. Um país situado neste recanto, com escassos recursos e que consegue sobreviver à contagem de quase novecentos anos de todo o tipo de histórias e ameaças externas e internas, para mais difundindo a sua língua por quatro continentes, é de facto excepcional.
Não posso discordar mais da tese que o post apresenta!
É verdade que nada posso acrescentar aos episódios que o JG menciona a não ser salientar os quantos mais se poderiam comentar. No entanto, sem precisar de messianismos, como interpretar a resistência ao abraço de urso do vizinho castelhano e à liderança por ursos, nossos patrícios? Como interpretar a existência de uma língua que abre portas em vários continentes? Etc , etc.
Por outro lado, Portugal é único no sentido físico (atómico se quiser) do termo, como aliás todas as outras Merdalejas que existem por esse globo fora. Será talvez uma lapalissada , mas não menos verdade por isso.
Estabelecida a "excepcionalidade" a, pelo menos, dois níveis, deixo-o em paz. É que o assunto é profundo e a síntese cursória que executa aqui é desadequada, parece-me. A excepcionalidade que se pode defender - e que convém não confundir com superioridade ou outras coisas ensimesmadas e parvas - é também um devir. Nacionalidade é identidade, e identidade é ponto de partida para algum lugar. Sem identidade não somos nada, e nada tenho a certeza que NÃO somos!
1 bem haja e votos de bom trabalho para 2013!
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