13.4.12

Um país doméstico

Os debates quinzenais parlamentares - uma "conquista" regimental perpetrada pelo actual líder do PS quando era apenas deputado - correm o risco da banalização e da indiferença junto da opinião pública. Para além disso, as circunstâncias obrigam a que se use quase só invariavelmente a langue de bois do "financês" na qual, aliás, todos os intervenientes se entendem perfeitamente com manifesta alegria epistemológica. As coisas teriam mais graça se houvesse mais política (não politiquice estúpida, mas política nobre) mas elas, as coisas, são o que são. Uma frase do editorial do Público de hoje resume-as (e resume-nos). «Não somos pequenos por sermos um país pequeno. Somos pequenos por sermos um país doméstico.»

5 comentários:

observador disse...

Não confundamos a forma com o conteúdo:

- Uma coisa é o princípio correcto do Governo apresentar contas detalhadas ao Parlamento, visto que é dele que emana, logo lhe está subordinado;

- Outra, é o uso que o Parlamento faz deste princípio, que pode não ser o mais correcto ou eficaz.

Mas, mal por mal, quer se mantenha o prestar de contas, ou continhas ...

quanto ao País domestico, faço notar que o Português foi feito para a globalização e a mundividência (só assim se percebem as subtilezas dos advérbios de lugar, inexistentes noutras línguas, e que só fazem sentido para quem pensa em grandes espaços), e que, quando confinado aos seu pequeno rectângulo, o torna, a uns mesquinhos e invejosos, a outros em pânico para não serem comparados com os deveres, que os de cargos equivalentes lá de fora, cumprem.

Daí a nossa perpétua emigração. O problema é que, quando voltam, vêm tão cansados, que não trazem e impõem essas boas práticas!

Respeitinho disse...

Respeitinho, Dr. Gonçalves. Respeitinho.

Vortex disse...

os mesmos alarves sempre a perguntar as mesmas porcarias. dali não sai nada a favor dos contribuintes. dez gajos daqueles sobravam

David Pimentel da Cornell University verificou que para obter uma quilocaloria de proteína animal se gastam quatro oriundas de combustíveis fósseis. os alimentos poluem tanto como os automóveis. pense nisso quando não comer tudo quanto lhe põem no prato

Joao disse...

Posso perguntar o que aconteceu ao Besta Imunda?
costumava acompanhar os seus comentários com tanto interesse como ao próprio autor do blogue....

Obrigado
João

areia_do_deserto disse...

Besta Imunda, "volte que está mais do que perdoado", aliás, vários é que lhe têm de pedir perdão pois, pelo que li nos seus comentários, só dizia Verdades, o que é sempre um encanto!

Mas a reunite aguda não foi sempre um apanágio neste "pequeno país", doméstico, porque endogâmico, entrópico, umbigocêntrico?

O Respeitinho é da PIDE ou da polícia política criada na I República ou de outra congénere? É que parece a Brigada de Trânsito, quando faz a sirene tocar, para o carro encostar (eu não conduzo, mas...). Será que é um sinal para que tenhamos de fazer continência ou mesmo calarmo-nos? Olhe, comigo, está mal, pois só me ajoelho perante Nosso Senhor e Seus Verdadeiros Representantes no Céu ou na terra.

Ah! E encaro a política como a religião- tem de ser vivida comme il faut todos os dias para o ser, i.e, implicando um debate polilógico e a abertura do espaço público e não o seu fechamento ditatorial, mas disfarçado de democracia do quintal! Isso sim é Respeito, aquilo que evoca não o é- é temor, é medo da opressão! Mal comparado é a mesma diferença entre afirmar-se: "Amo Deus" ou "temo (a) Deus".