
Ontem, entre um cachecol da bola e meia dúzia de livrinhos, Marcelo Rebelo de Sousa prodigalizou o elogio do futebol,em doses cavalares, como terapia para "aliviar" o povo. Começou por descrever o excesso - há bola praticamente todos dos dias, da Buraca a Bucareste, do canal público aos privados, com ou sem caixinha -, falou na "alienaçao" sugerida pelo marxismo para concluir que, afinal, no meio da crise e das aflições convinha distrair a populaça com futebol. A ideia é mais ou menos esta: "coitadinhos, ao menos não lhes tirem o futebol da mesma forma que não se deve tirar os brinquedos aos meninos e as bonecas às meninas". Não fica bem a um professor universitário recomendar a infantilização geral e, no limite, a tal "alienação" de que falava Marx. Mas, se repararmos bem, Marcelo há muito que transformou o seu programa de domingo num enorme divertimento pessoal com figurante. Não vale a pena é alargar a coisa ao país.
8 comentários:
e com isto tudo vai a presidente
Respeitinho, Dr. João Gonçalves. Respeitinho.
Exactamente.
Marcelo R. Sousa no seu afã de bracarense futebolístico, passou de comentador político a tudólogo " de coisa nenhuma.
Quando as pessoas atingem um patamar elevado em qualquer área, têm sempre tendência com o tempo, a banalizar os conteúdos, lamentavelmente.
Caramba, o Seguro hoje quase que espumava de raiva, se calhar com razão, é que com a honra ainda por cima de um político não se brinca.
A tréplica rebenta com a escala das audiências.
A TVI a rir-se.
O curioso é o próprio prof . Marcelo não ter ainda reparado que, ele próprio, se está a transformar num imenso jogo de futebol alienante ....
Com tristeza, tenho colocado a mim mesma a hipótese de ele estar a ficar senil. É uma sombra do cronista cujo brilhantismo eu há décadas acompanhava com gosto. Que dizer daquela espécie de "Correio do Leitor" em que os ignaros colocam questões e o sábio responde? Deplorável.
Quanto ao futebol, a coisa raia a indignidade. Como enaltecer um "desporto" que o é só para 22(e mesmo assim...) e que para os restantes é negócio ou a mais vil escola de brutalidade e alienação?
Como seria diferente o mundo se à poesia fosse dado o destaque que conferem ao futebol e reciprocamente...
Como é possível que o Sr. João Gonçalves e tantos ilustres comentadores deste ilustre Blogue continuem a não reconhecer ao Futebol, assim como ao Desporto em geral, o papel de 1º plano que tem na nossa sociedade como avanço civilizacional na simulação da Guerra e, por isso, na sua prevenção?
É assim, naturalmente, um negócio, vil, brutal e alienante, mantendo no quentinho dos seus lares quem o ridiculariza cuspindo no prato onde come...
Fala-se aqui dos actores, agentes e espectadores do Futebol com o mesmo desprezo com que há uns meses se dizia que as tropas portuguesas na Índia colonial se deviam ter deixado chacinar por ordem do nosso bem-amado Salazar...
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