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27.2.07

MONSTROS -2

O "estilo correio da manhã" já se insinua na capa do Diário de Notícias. Se servir para revelar o regime nos seus interstícios doentios, melhor. E se apresentar os "virtuosos" do regime no seu esplendor e miséria, óptimo. Afinal, qual é a diferença entre isso e divulgar como puro espectáculo menos de metade da unidade como uma estatística vitoriosa e um "resultado"? Tivesse sido Santana Lopes a fazê-lo, e quantos "perguntistas do regime" estariam hoje numa erótica perturbação, rindo e exigindo cabeças atrás de cabeças?

UM RACIOCÍNIO

Grande artigo de José Medeiros Ferreira sobre a Madeira, Jardim e o "Continente". Depois de dias e dias de prosas miseráveis e preconceituosas sobre o presidente do governo regional da Madeira (com a excepção de uma crónica de Vasco Pulido Valente no fim de semana), finalmente um raciocínio. "João Jardim é um dos últimos animais políticos de um regime que detesta e que o detesta, mas para o qual tem uma vocação inata. Num regime autoritário e burocrático, possivelmente não teria ido além da Câmara do Funchal. A liberdade, de certa maneira malgré lui, deu-lhe asas e despertou-lhe qualidades de estratego político que o guindaram a personalidade nacional num estilo inimitável. E o que é inimitável tem, pelo menos, carácter. Alberto João Jardim não é um político banal. De entre os seus predicados políticos sobressaem a audácia e o realismo. O golpe que acaba de desferir tem a ver com o seu lado audacioso."

26.2.07

MONSTROS

Zero vírgula quatro na redução das pendências processuais, e Sócrates não faz a coisa por menos: primeira vitória sobre o monstro. Sobre o monstro do desemprego - a crescer - nem uma palavra. Há monstros menos monstros do que outros.

O PREPARADO


Calhou à veneranda figura do presidente do PS - o dr. Almeida Santos, verdadeiro totem do regime - representar o PS na audiência com o PR sobre a Madeira. O ancião prosador, à saída, lembrou-se de dizer que "o nosso líder na Madeira tem feito queixas de que, estando o Governo [regional] em gestão, continua a usar os poderes que teria se não estivesse em gestão em matéria eleitoral ou mesmo eleitoralista." O líder dele na Madeira, o sr. Serrão, não abriu a burra dos queixos para, ao contrário de todos os outros partidos "regionais", criticar a lei das finanças regionais que prejudica objectivamente a Madeira. Neste sentido, Almeida Santos tem razão. O sr. Serrão pouco mais pode fazer do que queixinhas de Alberto João, apesar, diz ele, de "estar preparado". Preparado para quê? O PS na Madeira é assim. Chega sempre atrasado e não dá mais do que isto.

O PIVOT

Fica mal a um professor com o currículo académico de Vital Moreira, a um cidadão com o currículo político de Vital Moreira, a um militante com o currículo partidário de Vital Moreira armar-se em pivot da central de propaganda e de contra-propaganda do governo. Os apresentadores do telejornal da RTP já fazem isso com uma razoável proficiência. Todavia, há hábitos que nunca se perdem.Pior mesmo é o ilustre catedrático defender com unhas e dentes - coisa que nem Sócrates prudentemente se atreve a fazer em público - o ministro da Saúde. Correia de Campos consolida o seu autismo, empurrando os disparates diários com a barriga. Se calhar, todos os governos precisam de um entertainer. Com a sorte que Deus lhe deu, Sócrates tem três. Pinho e Lino completam a santíssima trindade por onde começa a desgraça do seu "certinho" executivo. Não precisa de nenhum Dutra Faria sofisticado. Muito menos de Coimbra.

24.2.07

A QUADRATURA DO CÍRCULO

O Henrique Raposo sintetiza bem a coisa, ao contrário de alguns colegas de blogue que aprenderam na "cartilha anti-Jardim" em vigor há trinta anos com o sucesso que se conhece: "há que admirar a coragem do homem: diz o que pensa num país em que os políticos medem tudo o que dizem, com medo de desagradar a quadratura do círculo. Depois, Alberto João não enriqueceu. Não usou a política para ficar mais rico."

CHAMAR À RAZÃO

O primeiro-ministro "chamou a si" o dossiê das urgências que tem vindo a provocar assuadas um pouco por todo o país. Já anteriormente o chefe do governo tinha "chamado a si" outros dossiês que os respectivos ministros não sabem tratar. Tudo para evitar o óbvio: correr com eles. Em Lisboa, o presidente da Câmara "chamou a si" uma data de pelouros devido à lenta agonia em curso. Também para evitar o óbvio: eleições. Quando o chefe "chama a si" qualquer coisa é sempre sinal de que qualquer coisa não está bem. Aliás, no caso de Sócrates, isto só confirma uma evidência eucaliptal. Se com ele é assim, imagine-se o que seria sem ele. Chamem-no à razão.

O TRANSBORDO


Ana Paula Vitorino, futura substituta do seu ministro, Mário Lino, anunciou uma alteração ao "traçado" do TGV que permita a passagem do vitesse pela OTA para "largar" e recolher passageiros de avião. Em linguagem socrática, a única que Ana Paula conhece, chama-se a isto "serviço prestado aos passageiros na intermodalidade aéreo-ferroviária, pois não necessitará de um transbordo suplementar". Esta insensata dupla OTA/TGV, sobretudo o primeiro, à medida que avança, mais contribui para o "transbordo" do governo a que Ana Paula pertence. Espero que o colaborante PR tenha presente a sua opinião sobre esta delirante "infra-estrutura aeroportuária" que ameaça comprometer praticamente tudo se não for parada a tempo. Se é que ainda vai a tempo.

23.2.07

UM RETRATO...

... simplex ou pracex. Ou a distância entre o powerpoint e a realidade.

O PNAAEOT

Há já uns tempos que o senhor engenheiro não nos fornecia, em nome da modernidade que vagueia na sua soturna cabeça, uma sigla. É certo que, com o aborto, entrámos no século XXI, mas tardava outro sinal depois do PRACE ou do SIMPLEX. Por isso, chega hoje, certamente em powerpoint, o "Plano Nacional de Acção do Ano Europeu de Oportunidades para Todos" (o PNAAEOT). O título - pura poesia concreta - mais parece coisa da sinistra 1ª República, ou mesmo da FNAT do ominoso Salazar, do que de modernaços como Sócrates e seus epígonos amestrados. Mas isto sou eu, que sou muito antigo, a dizer.

22.2.07

AJJ

Este post do Duarte Calvão é duplamente corajoso. Primeiro, porque ele é jornalista. Depois, porque é raro (raro é um exagero) ver um jornalista do regime - não é manifestamente o caso do Duarte, até porque ele não é dado a "regimes" - elogiar Alberto João Jardim. Salvo a parte do charuto, tiraste-me as palavras da boca.

A CRISE DA IMAGINAÇÃO

"Se houvesse o hábito de estudar história, ter-se-ia reconhecido aqui uma repetição. Na segunda metade do século XIX, a expansão da rede escolar, que mal fez recuar o analfabetismo, e a construção de uma rede de caminho-de-ferro coincidiram com a quebra das taxas de crescimento. No fim, os gastos do estado aprisionaram os portugueses numa crise financeira crónica, que os impediu de tentar aproveitar a chamada "primeira globalização", a não ser através da emigração. Alguém quer aprender alguma coisa? Nos últimos meses, a crise económica atenuou-se. Mas basta ouvir os nossos governantes para perceber que a outra crise, a da imaginação, continua."

Rui Ramos, Público de 21.2.07