12.11.14

Sinais de antecipação

"Estou aqui de cabeça erguida", afirmou a ministra da justiça no parlamento. Para quê se acha que não deve assumir quaisquer responsabilidades políticas no "affair Citius"? Curiosamente são apenas, e só, essas as suas atribuições - as políticas. Ninguém no governo lhe explicou? Ou a Rui Machete que, no mesmo sítio, estribou a sua "política" comunicacional na leitura dos jornais portugueses e na audição da estimável Rádio Renascença? Ou ao inexcedível Crato que não consegue apresentar um "ìndice" pelo menos sofrível? Por outro lado, «a recuperação económica continua longe de se reflectir na capacidade das empresas e das famílias portuguesas cumprirem com as prestações do crédito» e é «mais difícil manter os mesmos níveis de crescimento nas exportações» já que «nos primeiros nove meses deste ano, as exportações continuaram a crescer, mas a um ritmo menor do que o verificado no ano passado. Além disso, o aumento registado (de 1%) não chegou para compensar a subida das importações, provocando um agravamento do défice da balança de bens.» Finalmente, e até por ter "ajudado" a secretária de Estado Teresa Morais e o então ministro da tutela em anteriores "jornadas contra a violência doméstica", não posso deixar de lamentar a imprudência político-jurídica do executivo revelada, numa conferência de imprensa, por Manuel Maria Carrilho e protagonizada, sobretudo, pela secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade com "aval" superior do ministro da Presidência e do próprio primeiro-ministro. As outras pessoas, citadas no artigo do Público e que (e bem) colaboraram nas "jornadas", também terão tido direito a um almoço prévio e privativo com Teresa Morais como aconteceu com uma das participantes, de acordo com uma notícia de página inteira que saiu num jornal especializado, entre outras coisas, em "social history", o termo feliz usado por Saul Bellow para caracterizar "casualidades" deste tipo? As "boas surpresas" para 2015, a que aludiu há dias uma alta responsável do governo, vão dando variados sinais de antecipação. Prometedores.

1 comentário:

Fernando Ferreira disse...

Caríssimo João, que saudades tenho da Dra. Teresa Morais que conheci em 1999 na Secretaria-Geral do Ministério da Defesa Nacional quando, na singela condição de jurista avençada do então Departamento de Assuntos Jurídicos do MDN, ela opinava por escrito em matéria de (não) concessão de pensões de sangue a viúvas e órfãos da Guerra do Ultramar e aspirava à integração no quadro de pessoal através de concurso "especial-de-corrida" que lhe permitisse ingressar logo no topo da carreira de técnico superior...
Ah! Tanta corda que lhe deu a nossa Dra. Manuela Ferreira Leite... e também o nosso Primeiro-Sinistro Passos Kandimba...