27.11.14

"J'accuse"?


 


Sei, como agora se diz, de "fonte segura" que José Sócrates me considerava - ao nível da blogosfera porque não havia nem nunca houve outro -, cito, "um dos meus (seus) maiores inimigos". Por razões várias, incluindo do foro da deontologia profissional, não direi uma palavra sobre o processo que o envolve. Registo, todavia, os termos da defesa conspícua da sua honorabilidade para a chamada memória futura. E, de tudo o que lá vem, registo ainda com maior interesse a conclusão: «este processo só agora começou.» Será que, "pela primeira vez na nossa história" (expressão leviana repetida à exaustão nos últimos dias), vamos assistir a um ersatz à nossa medida do "caso Dreyfus" na opinião pública portuguesa? Talvez não fosse mau para a desencarcerar de vez de "convicções indesmentíveis" venham elas de onde vierem.

5 comentários:

Fernando Ferreira disse...

Caríssimo João, antes ser «um dos maiores» que «um dos piores» inimigos.

PALAVROSSAVRVS REX disse...

Encolher os ombros nesta hora de retribuição nacional ao Prisioneiro 44 não lembra a Belzebu. Mas de facto nem todos sentem como suas as dores dos portugueses vítimas da rapacidade devastadora das Elites Regimentais. É pena.

fado alexandrino disse...

Bem, para quem não ia dizer uma palavra ...chamar à liça Dreyfus parece-me uma profissão de fé para um dos lados do tamanho da Sé de Braga.

João Gonçalves disse...

Tem todo o direito a que lhe "pareça" mas "parece-lhe" mal. Porque interpretar é formular cálculos sobre intenções alheias. Foi o que fiz aqui, recorrendo a uma "imagem" histórica conhecida, com o que a pessoa em causa escreveu. É o que me "parece" apenas, e só, sobre isso. E não sobre outra coisa qualquer designadamente o fundo da questão.

fado alexandrino disse...

Muito obrigado.<br />O comunicado do detido prima pela singeleza que se pode resumir em duas ou três palavras "sou inocente e vou dar cabo de todos vocês".<br />Está totalmente de acordo com a pessoa, como aliás seria natural.<br />Agora um apontamento via Wikipedia<br /><br /><br />"Dreyfus nunca pediu nenhuma compensação ao estado francês pela injustiça militar, nem pelo grande trauma sofrido e nem pelos danos financeiros."<br /><br /><br />Já não há disto hoje.<br />Melhores cumprimentos.