
Com o à vontade de quem, daqui para diante e eventualmente salvo nas presidenciais, não tenciona fazer outra coisa a não ser votar em branco - de alguma forma, este artigo de Miguel Tamen explica porquê* -, olho para o dr. Costa em Coimbra e constato que chegou o primeiro-ministro. Há, de facto, um incumbente mas nos últimos tempos vejo-o mais em campanha eleitoral (e da má) do que propriamente na plenitude do sentido das funções que desempenha. De muitos dos seus ministros, nem de sequer de sentido algum se pode falar porque deixaram há muito de o fazer. Costa, velhíssimo taticista do regime, consegue, graças sobretudo à manta de retalhos em que progressivamente se foi tornando o governo da coligação de centro-direita, parecer quase uma "novidade". A sua conversa sobre as presidenciais, por exemplo, é muito mais inteligente do que a da moção de Passos no PSD. Ou a ponderação orçamental plurianual, a recusa do Estado mínimo ou a da insuportável "ideia" do "arco da governação". O resto é previsível e trivial como sucede nestes actos administrativos partidários. Não chegará à maioria absoluta porque, suponho, as derradeiras (de Sócrates e a actual) não recomendam a repetição de absurdos ensimesmados. Mas já aí está.
*«Há, independentemente do resto, uma diferença entre não conseguir justificar as nossas opiniões e não tentar sequer explicá-las. É a diferença entre ser-se uma pessoa que se engana de vez em quando e por isso tem muito a perder, e uma não-pessoa que acerta sempre e por isso não tem nada a ganhar. A maioria prefere normalmente esta segunda alternativa; a maioria prefere estar em maioria.»
3 comentários:
Chegado de uns dias de trabalho bastante mais intenso do que o costume lembrei-me de vir aqui ver o que se escrevia e encontrei esta pérola de texto onde o caro João Gonçalves querendo passar a ideia que crítica ambas as partes afirmando mesmo que o seu voto será em branco dá, no entanto, como facto adquirido que António Costa será o próximo Primeiro Ministro qualificando-o ainda (veja-se só!) como uma quase «novidade».
Extraordinário!
«(...) manta de retalhos (...)»
A oposição, quando não está a pedir eleições antecipadas que satisfaçam os seus interesses está a pedir a cabeça dos Ministros ou a recorrer aos tribunais para que estes decidam sobre o que compete ao governo decidir para depois ainda haver este descaramento de classificar(em) o governo como «manta de retalhos».
Pensar-se-ia, perante tal coisa, que os governos socialistas nunca sofreram remodelações, que os seus ministros nunca se desmentiram uns aos outros, que nunca voltaram atrás em decisões ou até que nunca cometeram os mais graves erros ou ainda as mais graves gafes que se encontram numa simples pesquisa na net...
«(...) velhíssimo taticista (...) parecer uma quase novidade»
Enquanto isso, eu cá não percebo como, aos olhos de certas pessoas, sendo considerado António Costa um «velhíssimo taticista» consegue ainda «parecer uma quase novidade» quando não passa de alguém que já conhecemos de ginjeira.
Como é possível alguém que esteve no governo de Sócrates tendo sido e continuando ainda a ser um dos seus maiores apoiantes e defensores «parecer quase uma "novidade"» (mesmo com aspas na palavra 'novidade')?!
Como se já tivesse sido esquecido que foi também com o apoio de António Costa que Sócrates levou o país ao estado que se vê. Sim, exactamente e nem ideias novas apresenta! Apenas as mesmas ideias gerais e descomprometidas de sempre, recauchutadas e embaladas para parecerem novas.
António Costa acusa este governo de ter atirado o país para a austeridade quando na verdade é de Sócrates (e seus antigos ministros - António Costa incluído) a responsabilidade pela austeridade em que vivemos ou não tivesse sido o governo de Sócrates a aplicar o golpe de misericórdia a Portugal esbanjando o dinheiro que Portugal há muito que não tinha.
Tudo valia: assistencialismo desmedido (completamente fora do razoável), benesses gratuitas (passe o pleonasmo) a quem não trabalhava nem queria trabalhar e mais umas quantas a certas classes de trabalhadores de modo a satisfazer alegremente sindicatos sem esquecer, como é óbvio, as negociatas que resultaram nas célebres PPP que tiveram o notável (e)feito de atirar com as respectivas despesas para o futuro para que fossem aqueles que viessem depois deles a terem de arcar com as consequências de pagarem (e com juros) todas as asneiras que eles fizeram.
E agora, como se não fosse nada com ele, António Costa acusa o actual governo de austeridade, descartando descaradamente todas as culpas que tem disso.
Extraordinário!
(continuação...)
A conversa de António Costa sobre as presidenciais «é muito mais inteligente do que a da moção de Passos no PSD»?
Está bem, cada um vê aquilo que quer ver. Eu apenas vejo oportunismo que pouco tem a ver com presidenciais.
Com o império BES (cujo banco tantos queriam que fosse salvo pelos contribuintes) desfeito e em consequência disso o financiamento de certas grandes empresas gravemente comprometido eu vejo os mesmos de sempre agora a salivarem ainda mais pelo próximo quadro comunitário de ajudas que, se não forem impedidos, será gasto em obras megalómanas de interesse público muito duvidoso como (meros exemplos) o tal novo aeroporto para Lisboa e cidade aeroportuária acompanhados de mais uma ponte sobre o Tejo e consequente reaproveitamento dos terrenos do actual aeroporto da Portela para interesses imobiliários tão sofregamente e há tanto tempo desejados!
E atão né co João Gonçalves também acha «a ponderação orçamental plurianual» de António Costa, muito mais inteligente?!
Onde ficaram, nesta inteligência toda, os sucessivos pedidos quer do governo quer do Presidente da República para um entendimento estratégico para o futuro? Em lado nenhum, obviamente!
Para quê um "consenso alargado" para o futuro, envolvendo vários partidos quando se pode ter um orçamento socialista plurianual, não é verdade? Que inteligência do catano!
«(...) vejo-o mais em campanha eleitoral (e da má) do que propriamente na plenitude do sentido das funções que desempenha»
A que se refere, caro João Gonçalves? Que falta de plenitude de funções desempenhadas por António Costa é essa?
Não é a campanha eleitoral que gostaria que António Costa fizesse? Não está ele a desempenhar devidamente as suas funções como líder da oposição? Ou é por António Costa já mal conseguir (ou querer) dedicar algum tempo que seja às suas funções como presidente da Câmara Municipal de Lisboa?
A «recusa do Estado mínimo» por António Costa também é muito mais inteligente?!
Atão não haveria de ser! Quanto maior o Estado, melhor. Não é assim? Realmente basta olhar para o Estado gigante que se formou nos últimos 40 anos para se pensar: "Que bom, quero mais e ainda mais que este assim não chega!" como se o estado gigante que temos não tivesse dado neste lindo resultado que agora vemos.
A maior parte das empresas, incluindo os chamados sectores estratégicos têm dívidas astronómicas; há funcionários públicos em excesso com uns quantos preguiçosos pelo meio e muitos outros com privilégios que são de uma enorme injustiça para com os restantes cidadãos mas cujos respectivos sindicatos defendem ferozmente; etc., etc., etc..
Enfim, que belo joguinho este o de algumas pessoas: "Eu até nem o apoio mas que vejo nele o futuro Primeiro Ministro... ai isso vejo." E assim se vê que o elogio descarado de Ferro Rodrigues a Sócrates em pleno debate de orçamente começa, a poupo e pouco, a dar os seus frutos.
Como de costume, só percebeu o que lhe apeteceu perceber ou nem isso. Talve o texto do Miguel Tamen o ajude.ss
Enviar um comentário