23.1.12

Portugal, país de eventos

«Não prestei grande atenção à inauguração de Guimarães capital da cultura. Desde os anos noventa quando se inventou a EXPO-98 que dei um remate conceptual ao que aí vinha, englobando excelência, repetição, mediocridade, derrapagens orçamentais e salários altos sem vaias, como o dia a dia de um Portugal país de eventos. Só a nossa incontida auto-estima não cifrada levou ao endeusamento dos seus promotores. O modelo, em moldes industriais e standartizados, até faz sentido no Portugal dos hotéis e do turismo. Mas nunca acreditei numa palavra sobre as intenções épicas desse eventos. Desejo muitas entradas e camas vendidas durante o certame. A auto-estima ficou muito cara e sem ninguém para dar a cara.»


 


José Medeiros Ferreira, Córtex Frontal

2 comentários:

PALAVROSSAVRVS REX disse...

Enfim, o Estado pode estar quase falido, mas dá-se por cá qualquer coisa como a multiplicação dos pães eventuais, mesmo sem produzir alimentos suficientes ou coisas que se vejam e se vendam.

Mas de onde é que virá o dinheiro, afinal?

Anónimo disse...

Qual será a razão para não se dizer a verdade: Guimarães é co-capital europeia da cultura. Porquê omitir e esconder a outra, completamente? Que amor é este à cultura? Que jornalismo é este?