19.6.10

É PROIBIDO?

O tom consensual e jubilatório em volta das exéquias oficiais de Saramago roça o obsceno patético. Não haverá ninguém que tenha a coragem - ou a oportunidade - de manifestar outra opinião sem ser votado ao ostracismo ou acusado de bruto? Ou é proibido não ser "fã" do escritor e do homem?

Adenda: Uma parvinha da RTP (a Felgueiras júnior) quer à viva força que Cavaco Silva apareça. E apareceram Céu Guerra e a tonta Roseta, para a secundar, a "mandar" Cavaco aparecer. Está tudo doido ou é mesmo assim?

Adenda2: Mas lá fora há direito a pensar de outra forma. «Foi um homem e um intelectual de nenhuma admissão metafísica, ancorado até ao final numa confiança arbitrária no materialismo histórico, aliás marxismo. (...) Colocado lucidamente entre o joio no evangélico campo de trigo, declara-se sem sono pelo pensamento das cruzadas ou da Inquisição, esquecendo a memória do ‘gulag’, das purgas, dos genocídios, dos ‘samizdat’ culturais e religiosos. (...) Relativamente à religião, atada como esteve sempre a sua mente por uma destabilizadora intenção de tornar banal o sagrado e por um materialismo libertário que quanto mais avançava nos anos mais se radicalizava, Saramago não se deixou nunca abandonar por uma incómoda simplicidade teológica.»

Adenda3: Para mim também. «Para mim, literatura é outra coisa. Ofício de palavras e não de ideologias. Com ou sem vírgulas, com ou sem parágrafos, com ou sem maísculas. Até porque muitas vezes o estilo, como bem disse o Mário Quintana, "é uma dificuldade de expressão".»

34 comentários:

Anónimo disse...

Estava á pouco a assistir à Felgueiras Filha no Telejornal da RTP a atira-se ao Presidente da República pelo facto, achava ela, de não ter interrompido as férias nos Açores para se associar "á homenagem" que está a ser prestada ao tal senhor que faleceu nas nas "islas" espanholas cujo nome agora não nos vem á ideia ...

Isto é jornalismo? Isto é informação séria e credível? Ou é antes uma grande fantochada?

Fica a questão!!!

Anónimo disse...

por acaso ainda não deixei de ver os jornalistas a tentar catar polémicas. por aqui não se vê o argueiro no próprio olho.

Anónimo disse...

O comunismo voltará de novo e você João Gonçalves irá para um campo de trabalhos forçados onde aprenderá verdadeiros valores humanos, a entrarem-lhe profundamente nessa cabeçorra malpensante.

hf disse...

concordo absolutamente, muita gente tem ultrapassado o simples respeito pelo luto ou pela figura literária para entrar na mais laudatória hipocrisia. Acho tão mesquinho e sem espinha como considerar esta situação uma "oportunidade" seja do que quer que for, especialmente para ajustar contas pessoais.

Merkwürdigliebe disse...

À tvzeca portuguesa já tinha metido férias à conta do futebol africano da vuvuzela, por isso bem podem neste momento atestar a gamela até ao bordo com o que quiserem. Lambuzem-se então agora porque depois entram de férias, no país do carnaval permanente da Europa Ocidental.

Anónimo disse...

Aqui, único lugar onde Portugal é dos pequeninos, aqui palra-se. Que está a fazer Sena aí ao lado?

João Gonçalves disse...

Então para que é que cá vem? O Sena está e fica porque eu quero.

Anónimo disse...

Já deito Saramago pelos olhos. Se ele tivesse passado por uma campo de trabalhos forçados na URSS teria aprendido o valor da liberdade em que viveu.

rose disse...

Está tudo doido.

E o Sena está muito bem onde está.

Arsch der Welt disse...

Aqui não se palra, idiota. Quanto muito escreve-se. A não ser que esteja a contar com as vozes na sua cabeça.

Anónimo disse...

Alguém se lembra do que disse Paulo Futre quando lhe perguntaram o que "achava" do Saramago ter ganho o Nobele: Pergunta à pergunta: "Quem é o gajo".
Porque nos incomodamos? Basta calarmo-nos, logo passa....

Anónimo disse...

Idiota? De facto, ó Arsch, quer dizer, asno, foi má ideia ter vindo aqui. Ah, esse "Quanto muito escreve-se" classifica-te. Tens de voltar para o Ciclo, andas com o teu pretuguês baralhado. É quando muito. Olha que o JG ainda te toma a sério e chateia-se :) Nem sabes o que escreves. Ora vê lá aqui:

http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=1833

Anónimo disse...

Caro autor do blogue:
Ainda bem que Cavaco não pôs os pés no velório do GRANDE SARAMAGO. Só vem provar a tese da falta de cultura (e de chá), que continua a ter, por parte do chefe de estado... Se é que alguma vez o foi.

Anónimo disse...

É evidente que Cavaco não poria os pés no velório. Nem mandará o motorista e faz muito bem: não é hipócrita nem traidor à pátria!

Agora só falta fazer um filme "Adeus, Saramago" para fazer esquecer o "Adeus, Lénine".

Anónimo disse...

O dono do blogue conhece, é uam pessoa muito culta, viajada, prima pelo rigor da ortografia, morfologia e sintaxe, não é preciso. Para as pessoas que possam não conhecer, registo a existência de um escritor muito célebre, de nome Albert Camus. Escreveu ele, entre muitos outras obras primas, uma a que deu o nome original L'étanger - O estrangeiro.
O protagonista, por razões que nem ele sabe explicar, mata um árabe com tiros de pistola, no dia seguinte ao funeral da sua mãe. Preso e julgado, foi condenado à morte. Durante o julgamento, o tribunal só lhe perguntou uma vez por que razão se tinha aproximado da fonte onde estava o homem que abateu. Mas condenou-o porque o júri o considerou um homem insensível, desumano porque não tinha chorado no enterro da mãe, fumou um cigarro e bebeu café com leite na madrugada da vigília do corpo.
Os altos representantes da Igreja Católica deveriam ter pensado em Camus antes de terem escrito o texto que serve de post. E o senhor dono do blogue também não fica lá muito bem na fotografia da família. O escritor José Saramago está a ser julgado como homem e não como criador.

Anónimo disse...

1975 – Saramago é nomeado director adjunto do DN. “Quem não está com a revolução, é melhor não estar no DN.” diz para os atónitos jornalistas e colegas. Em tempo de opções radicalizadas, os editoriais vinham ao serviço da facção gonçalvista do MFA. O saneamento de 30 jornalistas colou ao seu nome um rasto de polémica que o acompanhou sempre” – Publico de hoje.
Que Deus lhe perdoe|

Anónimo disse...

Sim, um tal antónio ribeiro ferreira que bastas vezes aqui foi citado e elogiado e até comenta na TVI nem nunca saneeou ninguém como director-adjunto do DN, não é? Será por ser um comissário do cds-pp?

Emanuel Oliveira Santos disse...

Dia 18 de Junho de 2010, em Lanzarote, Espanha, morreu José Saramago.
Um cidadão do Mundo.
Um óptimo escritor.
Um vencedor de um Prémio Nobel da Literatura.
Que descanse em Paz.
Eu como cidadão do mundo e apreciador de literatura, lamento este falecimento, do mesmo modo, como lamento qualquer outro falecimento de um escritor que tenha vencido um prémio Nobel da Literatura.
Morreu um vencedor de um Nobel da Literatura. Que encontre a Paz.

Anónimo disse...

A esquerdalhice lorpa, lambedora do rêgo do cu do comissário-saramago, é pequena, é indigente intelectual, ignorante e vingativa. Neste país pobre, ser de esquerda é ainda mais triste e retrógrado do que ser de esquerda no Kazaquistão. Estão bem para o lara, e perfeitamente ao seu nível. Aliás, saramago deve quase tudo a lara. Que grande!
A enfermeira de saramago falou e disse "que era muito boa pessoa". Que lindo! A micro-felgueiras - madura, vivida, culta e sabedora - falou e disse "a direita não vem ao velório!". Que bela revolta!
A pobre idiota roseta e a miséria cultural céu-guerra rangeram os dentes, insultuosas - pobres alminhas domésticas!
Se não houvesse uma coisa chamada "nobel" à mistura e a palavra "prémio" associada, em vez de 258 pessoas o despojo do comissário teria tido apenas 25.8 pessoas "a despedir-se".
Pobres escritores que escreveram antes de merda do nobel; fizeram-no em vão.

Ass.: Besta Imunda

floribundus disse...

die welt e não der

arsch é o anus

Anónimo disse...

saramago, esquerda, velório, cinzas, pilar, nobel, cabeleireiras. PÍFIO.

Ass.: Besta Imunda

Anónimo disse...

«A esquerdalhice lorpa, lambedora do rêgo do cu do comissário-saramago, é pequena, é indigente intelectual, ignorante e vingativa.»

Não sendo eu de esquerda, direita, norte, centro ou sul, permito-me lembrar ao ilustre comentador que deve ser por uma razão que deveria fazer reflectir antes de atirar estes desabafos para o ciberespaço, que praticamente nenhum escritor do mundo se afirma da direita política.

Anónimo disse...

«Estava á pouco a assistir à Felgueiras Filha no Telejornal da RTP a atira-se ao Presidente da República pelo facto, achava ela, de não ter interrompido as férias nos Açores...»

Permitia-me relembrar ao respeitável comentador que os jornalistas (raras ilustres excepções) não acham nada. Felgueiras também não acha. Diz o que lhe disseram que ela devia dizer que achava.

Fado Alexandrino disse...

Morreu um vencedor de um Nobel da Literatura. Que encontre a Paz.

Isso era a última coisa que o preocupava.
Era ateu.
Morreu e portanto logo a seguir é um pedaço de carne e ossos que podiam até ser atirados para o lixo.

Garganta Funda... disse...

Já o disse aqui que nunca apreciei a obra literária de José Saramago, talvez por insuficiência da minha parte.

Como «franco-comentador» insurgi várias vezes contra Saramago, pelo facto deste utilizar conhecidas tácticas de marketing literário para promover os seus livros, como foi o caso recente do livro «Caim» e que a palonçada tuga aderiu como agora aderem às vuvuzelas.

Descontado isto, não posso ignorar que o escritor José Saramago foi galhardoado com o Prémio Nobel da Literatura (o único em Língua Portuguesa!), concedido pela Real Academia Sueca, recebeu o Prémio Camões e até foi agraciado com a Ordem de Sant'iago da Espada pelo então PR.

Ora, todo este arrazoado vem a propósito da «postura» do actual PR, Prof.Cavaco Silva, que ainda não participou nem parece querer participar nas cerimónias fúnebres do falecido escritor, pois o tempo nos Açores está bom e o «cozido das Furnas» é de facto uma maravilha.

O mais bizarro de tudo isto é que o actual PR interrompeu em 2008 as suas férias numa «caliente» noite de Verão para falar ao País por causa duma ou duas alíneas do Estatuto Autonómico dos Açores que buliam com as suas prerrogativas constituicionais, mas não interrompe agora as suas férias para prestar homenagem a um cidadão nacional que já deu mais créditos ao país do que ele próprio, mesmo que ele venha numa outra encarnação.

Hoje, o próprio líder espanhol da Direita, o Presidente do PP, Mariano Rajoy, fez um sentido e extraordinário elogio fúnebre do escritor, e todos nós sabemos, qual o grau de antipatia ideológica entre ambos.

De facto a Direita em Espanha não é a «macacada» que é a proto-direita portuguesa, que deve constar do Guinness Book como a mais estúpida e iletrada do Mundo!

São estas pequenas coisas que definem a grandeza de espírito e de alma das pessoas.

Até a esta hora o actual PR não demonstrou esses atributos e muito dificilmente poderá arrogar-se do qualitativo de ser o presidente de todos os portugueses.

Se eu fosse familiar do José Saramago ficaria imensamente agradecido por o actual PR não aparecer.

Fernando Cabral disse...

Por mim, Saramago já vai atrasado.

Anónimo disse...

Nesta altura vale a pena lembrar o Cónego Melo. Esse sim lutou pela Liberdade e não pela continuação de uma ditadura agora com outro nome e receitas do vôvô Lenine e outros vôvôs.

Anónimo disse...

Tanto alarido hipócrita pela morte de um homem. Pessoalmente, lamentaria mais a morte de um chefe de família, daqueles que trabalham no duro dia-a-dia, tendo filhos para alimentar, vestir e educar.
Quanto ao resto, Saramago era um escritor como tantos outros que não tiveram a sorte de serem escolhidos para prémio Nobel.
Alguém se indigna, quando algum ex-combatente do ultramar morre e não vai nenhum político ao seu funeral ?
Saramago não é nenhum herói, viveu com ódios, morreu como qualquer mortal.
Cps
Scaramouche

Tomás disse...

No dia da morte de Saramago, Isabel da Nóbrega sai de casa vestida de preto como nunca a tinha visto. Curiosamente não vi em lado nenhum, qualquer menção a Isabel da Nóbrega nem aos quase 20 anos de vida em conjunto e de apoio incondicional. Provavelmente não é muito interessante para os outros.

Anónimo disse...

quanto muito há à.
lol

Anónimo disse...

Pode até ser que Saramago fosse tudo isso que o Jornal do Vaticano refere, coisa que, no entanto, não assino por baixo, pela simples razão de não conhecer o homem, de não ter partilhado da intimidade da sua alma sem o qual um julgamento de carácter é um exercício sem fundamento - isto para além da própria dificuldade em julgar alguém e em termos tão definitivos.

Não posso deixar de notar, porém, que o jornal do Vaticano ao escrever "declara-se sem sono pelo pensamento das cruzadas ou da Inquisição, esquecendo a memória do ‘gulag’, das purgas, dos genocídios..." parece estar, por sua própria iniciativa, a colocar ao mesmo nível as cruzadas e a inquisição com o gulag, as purgas e os genocídios. A colocar, enfim, ao mesmo nível a religião em suas instituições e a política. Talvez com razão o faça...

Na melhor das hipóteses, é, a meu ver, um tiro que sai pela culatra. Ou uma observação muito reveladora do nível em que esse jornal coloca a religião.

Bem mais nobre, também a meu ver, é a posição do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura:

José Saramago: «grande criador da língua portuguesa»
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura expressa o seu pesar na morte do nobel português da literatura.
O Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura expressa o seu pesar na morte de José Saramago, “grande criador da língua portuguesa e expoente da nossa cultura” – lê-se num comunicado do referido secretariado que tem como director o Padre e poeta Tolentino Mendonça.

Falecido hoje (dia 18 de Junho), na ilha espanhola de Lanzarote, o único português galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, contava com 87 anos de idade. O comunicado do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura realça que José Saramago “ampliou o inestimável património que a literatura representa, capaz de espelhar profundamente a condição humana nas suas buscas, incertezas e vislumbres”.

O cristianismo e o texto bíblico “interessaram muito ao autor como objecto para a sua livre recriação literária”. E acrescenta: “Há uma exigência e beleza nessa aproximação que gostaríamos de sublinhar”. “O único lamento é que ela nem sempre fosse levada mais longe, e de forma mais desprendida de balizamentos ideológicos” – lê-se

Nascido em Azinhaga, Golegã, a 16 de Novembro de 1922, José Saramago foi um profícuo escritor. «Terra do Pecado»; «Levantado do Chão»; «Memorial do Convento»; «O Ano da Morte de Ricardo Reis»; «A Jangada de Pedra»; «O Homem Duplicado», «Ensaio Sobre a Lucidez»; «As Intermitências da Morte», «A Viagem do Elefante», e «Caim» são algumas das obras saídas da pena deste Nobel português.

http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?tpl=&id=80214

M. Abrantes disse...

Tem que ser possível separar os homens das suas obras. Senão, dizendo que estamos a falar de arte, de que estaremos, de facto, a falar?

Todos têm o direito de dizer que os livros do Saramago são uma merda - a beleza estará sempre nos olhos de quem a vê. Acho que ele seria o primeiro a concordar com isto.

Diferente, no entanto, são opiniões como a que cita na sua Adenda3. Dizer que a escrita de Saramago é um ofício de ideologias, é confessar que nunca o quis ler, por muitas frases por ele escritas que tenha perpassado com o olhar.

Quanto à opinião do Vaticano, enfim - haverá coisa mais eivada de dogmatismo e ideologia?. Podiam atender à frontalidade, e cordialidade no debate, do padre Carreira das Neves. Talvez aprendessem alguma coisa.

Anónimo disse...

caríssimo...
Eu não podia com o Saramago, mas ao dar de caras com o "obsceno patético" não podia deixar de referir, que patética é vossa excelência. Pelo mesmo direito que invoca, ele também tinha as suas opiniões. E quem presta honras ao mesmo, que giro, também tem o mesmo direito. E já agora, quantos milhões de livros sua excelência tem publicados?

Anónimo disse...

Caro anónimo das 1:11AM, de hoje 20 de Junho,

Em certa medida invejo-o, pois o senhor conseguiu a equidistância de tudo; o que lhe deve dar uma tranquilidade bem-disposta e uma espécie de inimputabilidade intelectual. Diz "não ser de esquerda, de direita, do Norte, do Centro ou do Sul". Não tenho a certeza mais foi-me dito que, para chegar a esse estádio evolutivo, ajuda ter uma profissão como a de fazer a leitura de contadores de gás, ou não precisar de profissão nenhuma.
Dessa sábia estatística dos "escritores da direita política" nada sei (embora se procurar, sem esforço, os encontre). O mais natural é que os censurem, que lhes barrem acesso, que os escondam e que, se publicarem, não os refiram nas TV's ou não os publicitem. Também muitas vezes não são "da literatura", escrevem sobre outras coisas.
Por outro lado - admito - é muito a esquerda que insiste em escrovinhar a esmo, por tudo e por nada, repetindo com salmodiante burocracia o marxismo, descobrindo a roda ao virar da esquina e sempre com aquele ânimo infantil "desta vez é que é" sempre que mais um jovem escriba do progressismo de junta às hostes (geralmente começam cedo, quando não têm nada para dizer e nada sabem) - para concluír sempre as mesmas coisas, como se a sua missão fosse produzir uma eterna bíblia-da-revolução-constante.

Ass.: Besta Imunda