20.6.10

LEMBRANÇA DE ISABEL DA NÓBREGA


De um leitor, Tomás: «No dia da morte de Saramago, Isabel da Nóbrega sai de casa vestida de preto como nunca a tinha visto. Curiosamente não vi em lado nenhum, qualquer menção a Isabel da Nóbrega nem aos quase 20 anos de vida em conjunto e de apoio incondicional. Provavelmente não é muito interessante para os outros.»

14 comentários:

José Navarro de Andrade disse...

Há sempre alguém que é retirado da fotografia. Muito justa homenagem.

Anónimo disse...

http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/06/anotacoes-pessoais-41.html

Alves Pimenta disse...

Costumo encontrar frequentemente Isabel da Nóbrega, perto de sua casa, à Rua da Esperança, mas há uns dias que não a vejo. Oxalá esteja bem! É uma Senhora como já há poucas no nosso meio literário...

carol disse...

O leitor Tomás não leu o DN de sábado, onde a escritora isabel da Nóbrega é referida como uma das três mulheres da vida do escritor. Mas muito justa homenagem, anyhow.

Anónimo disse...

"Lamento muito mas não posso alinhar no coro angélico que pretende canonizar José Saramago, agora que morreu lá em Lanzarote onde se tinha auto-exilado. Sei que é uma coisa típica portuguesa: sempre que alguém morre por cá passa automaticamente a ser uma excelente pessoa, com lugar garantido no Céu.

Já tinha acontecido o mesmo com Álvaro Cunhal (que pretendeu transformar Portugal num satélite do Sol soviético) e agora repete-se com outro camarada.

E se falo de Cunhal agora é também porque Saramago teve -- convém lembrar -- comportamentos estalinistas públicos:

- primeiro em 1975, quando fez parte da direcção do «Diário de Notícias» e «saneou» (expressão característica dessa época sinistra) 24 jornalistas desse mesmo jornal, onde fora colocado para actuar como comissário político -- e nessa altura, eu, que nunca tenho participação política por descrer da mesma, desci à rua e juntei-me à manifestação na Avenida da Liberdade para protestar contra os tais saneamentos;

- depois quando mandou apagar (à boa maneira estalinista) o nome daquela aquem devia tanto -- a escritora Isabel da Nóbrega, uma grande senhora e excelente escritora que lhe ensinara a comer à mesa e lhe abrira portas do mundo literário -- nas dedicatórias dos livros que escrevera no tempo em que viveram juntos e os substituiu, nas reedições, pelo nome da nova mulher, Pilar del Rio, que nem sequer conhecia quando escreveu e publicou «Levantado do Chão», «Memorial do Convento» e outras obras.

Aliás, valia a pena analisar a obra de Saramago tendo em vista os livros que escreveu no tempo de Isabel da Nóbrega e os que escreveu depois, no tempo de Pilar del Rio. Só para perceber as diferenças e tirar as necessárias conclusões…

E já agora convém igualmente lembrar esses livros lamentáveis deste último período, «O Evangelho segundo Jesus Cristo» e «Caim», iniciativas de marketing para chamar a atenção, através do escândalo provocado, sobre a própria obra. Certamente foi Pilar del Rio que lhe forneceu os temas e os materiais para tais iniciativas. Nada melhor do que um escândalo ou uma polémica para «dar vida» às vendas nas livrarias.

E a manobra resultou, como sabemos. O Homem é como uma árvore, e, tal como a árvore, reconhece-se pelos frutos. Não se pode separar o Homem e a obra como se fossem os compartimentos estanques de um submarino.

Na nossa avaliação de um escritor, creio nisso absolutamente, tem sempre de entrar em linha de conta o ser humano que ele é, ou foi, e o que ele fez do dom que recebeu de Deus. E claro que, para além desta poeira dos dias de hoje, o que resta, e permanecerá, é o Juízo Final -- e esse não pertence aos homens, mas a Deus. De quem, aliás, Saramago disse e escreveu tudo o que sabemos. E que nos envergonha."

António Carlos Carvalho in

http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/06/anotacoes-pessoais-41.html

isabel de Deus disse...

Dizem-me que os amigos dela ,muitas vezes,o aceitavam com relutância e apenas como apêndice.

hf disse...

gostava de compreender porque é que que tantas pessoas acham que tem a ver com a vida intima do escritor e da sua ex-mulher. Será este o mesmo portugal que fecha a janela quando ouve a vizinha a levar pancada?

maria disse...

Até parece que tem. O livro "As intermitências da morte" tem como base a obra do mexicano Teófilo Huerta Moreno com o nome "Ultimas noticias," dada por este autor ao editor Alatriste conhecedor de Saramago através de Pilar del Rio. O tema inesperado, em 24 horas ninguém morre e, as ideias e frases idênticas em ambas as obras. O autor mexicano criou um blogue para o assunto, JOSÉ SARAMAGO PLAGIARIO.
Afinal as mulheres fazem também a diferença. E quanto ao nobel, tem tanto valor o de Saramago como o de Obama, da Paz, num país onde a pena de morte fusilou um homem esta semana. Nem todas as mortes são iguais.
Já agora e a Casa dos Bicos, continuamos todos a dormir?

Anónimo disse...

Apesar de tudo, concordo com a Pilar quando disse que o melhor livro do marido, ou lá que era, era a "Viagem a Portugal". E acrescento os livros de crónicas, "Deste Mundo e do Outro" e ainda "A Bagagem do Viajante". O resto é uma medíocre e, muitas vezes, insuportável conversa de chacha!

Anónimo disse...

O que custa imenso é pensar que agora é a Pilita del Rio que vai ocupar a Casa dos Bicos... Antes voltar a ser armazém de bacalhau...

Crítico blogueiro disse...

hf,

Pelos vistos, o destino não foi avaro consigo em estupidez. Bom proveito!

Observador disse...

Neste como noutros casos (Cunhal, Rosa Coutinho, etc)a brigada das "quintas-colunas" está a movimentar-se. O aparelho clandestino do PC por aí espalhado e reforçado, nestas alturas, por muitos idiotas úteis fica desenfreado...

LUIS BARATA disse...

Interessante o luto de Isabel, mesmo depois da atribulada ruptura, das dedicatórias retiradas aos livros e do pesado silêncio como se a vida tivesse começado com a prestimosa Pilar.
Mas quem não reescreve ou tenta reescrever parte do seu passado? Saramago não foi imune a tal tentação.

Anónimo disse...

É bem verdade que Isabel da Nóbrega está na origem de Saramago tal como conhecemos hoje. Mas também não deixa de ser verdade que na origem de Saramago está apenas Saramago e as suas circunstâncias. E isso demonstrou-o o homem.
O que se quer aqui dar a entender é que a existência de Saramago deve algo a todos com quem se cruzou. E dessa fatalidade ninguém se livra. Claro que quando morreu Amália ninguém se lembrou do marido da dita ou de Rui Valentim de Carvalho, só para dar um exemplo. A ninguém ocorreu homenagear Belchior Viegas. E porquê? Porque seriam estes os primeiros a reconhecerem o seu ínfimo papel na Obra e Talento de pessoas como as que citei. Não me enganarei se acrescentar que o luto de Isabel da Nóbrega só a ela diz respeito e que a não menção aos 20 anos de vida em comum com Saramago não lhe devem a ela causar tanto dano como parece que lhe querem, à viva força, condenar.
Deixem-se de invenções e atenham-se à realidade que não é passível de ser diminuída nem à conta de "A Vida dos Outros".