11.6.10

CURIOSA CONCLUSÃO

O PS escolheu como adequado porta-voz da "sua" conclusão na comissão Mota Amaral (este levou aquilo tão a sério que até se quis furtar a presidir à derradeira reunião da coisa) o deputado Rodrigues, o dos gravadores. E a "sua" conclusão - a única que ele admite - é que não houve mentiras. Se vier lá que alguém mentiu, já não é a "sua" conclusão. Tal como ele não tirou gravadores a ninguém, apenas exerceu "acção directa". A comissão morreu à mão de dois deputados, por coincidência, decerto, dos Açores. Curiosa conclusão.

Adenda: Um leitor lembrou a naturalidade açoriana de dois PR's da triste República de 1910. Acerca do primeiro deles, Arriaga, julgo que, uma vez mais, Pulido Valente o resume bem. E, com as devidas adaptações, o retrato "resume" Mota Amaral, salvo na parte de versejador que, neste, pelo menos publicamente, não se conhece. «Em nenhum momento da sua longa vida excedera (ou haveria de exceder) uma mediocridade honesta. A seu favor contava-se apenas um passado de pioneiro, assaz diletante, e quase quatro décadas de fiel serviço ao Partido [Republicano]. Mas agora estava velho e cansado e a cada passo mostrava que não percebia nem se adaptava às duras realidades do mundo republicano. Sobrevivente de mais simples e tranquilos tempos, autor de um livro chamado Harmonias Sociais, entrou para a presidência em estado de inocência política e saiu para morrer, deixando atrás de si só desilusões e ruínas.»

12 comentários:

Anónimo disse...

O PS nesta comissão foi como o som da mosca que sai do estádio na África do Sul. Só serve para incomodar.

JMV disse...

Curioso número, de facto (o implícito seis-nove de D. Bosco)

Ana Gabriela disse...

João
Sim, curiosa coincidência...
Ana

Jorge Diniz disse...

Curiosa conclusão? Não são todas AS CONCLUSÕES de acordo a "PORCARIA"?

Onde está a responsabilização de quem contribuiu para ESTE ESTADO DE COISAS?

jgoncal disse...

Tenho imensa pena por ter assistido ao papel de Mota Amaral em todo este processo. Como açoriano (eu e ele), como companheiro do mesmo partido dele, tinha-o como uma referência moral e ética acima de qualquer suspeita. Aliás, a demissão dele do Governo Regional dos Açores deveu-se por solidariedade a um secretário regional dele que se viu envolvido num caso relacionado com a ilha do Pico. No entanto, a ética não pode existir se não for associada a um sentido de justiça e busca pela mesma. Nesta comissão, Mota Amaral não fez jus ao que se esperaria dele: ajudar na busca pela verdade. Empatou e obstaculizou (?) o trabalho da Comissão. Fica-lhe mal.
Sobre RR, só lhe digo uma coisa: é alguém que envergonha o sotaque que usa (que não é o meu mas que pertence ao património dos Açores) e o ar que respira. Como é possível o PS ter criaturas destas como membro do CSM ou porta voz do grupo parlamentar, ou porta voz do PS para a Justiça... ao que isto
chegou.
Cumprimentos

João Mendonça Gonçalves

Anónimo disse...

Os dois primeiros Presidentes da República foram açorianos. Pergunto: que ilações posso eu tirar do facto senão as da mera coincidência?

Alves Pimenta disse...

O Mota Amaral acagaçou-se, numa altura em que, "legalmente", já nem tem razão para isso...
Quanto ao estafermo Rodrigues, nada a fazer, excepto perguntar, mais uma vez: como foi possível chegarmos a isto?

Jorge Diniz disse...

"...como foi possível chegarmos a isto?"
Ó Pimenta, não conhece a "lei da evolução"? Evoluímos para "isto"!!
Na verdade, quando 75% dos P(p)ORTUGUESES não se incomadam com a CORRUPÇÃO (desde que lha caiam umas migalhas) está tudo dito! É A "EVOLUÇÃO".

Anónimo disse...

A "mediocridade honesta", na minha opinião, não é deste, daquele ou daqueloutro representante «de todos». O escrutínio democrático republicano, com raríssimas excepções, é uma merda como estamos fartos de ver e de saber.

Anónimo disse...

É um escândalo e uma afronta permanente a existência em funções e a aparição regular em público daquele peralvilho-burlão-ladrão rodrigues. O PSD é uma coisa estúpida e desnorteada, cheia de incompetentes, babosos de debilidade. Mas o PS não passa de um depósito de criminosos e cúplices de criminosos. Jamais os actuais deputados, assim como todos no PS que se têm permitido conviver e usar o mesmo espaço que o peralvilho-rodrigues e mitómano-sousa, recuperarão o crédito público. Todos, mesmo todos, estarão para sempre associados a esta espécie de "Chicago 1925-1930" em que se tornou o PS: marias-de-belém, lacões, assizes, vitais, vitorinos e quejandos. As suas credibilidades são e serão nulas.

Ass.: Besta Imunda

António João Correia disse...

Por vezes concordo, e muito, com o que escreve, mas fico com a sensação que anda a discriminar com base na origem da pessoa ou pessoas. Será que por serem dos Açores, João Bosco e Ricardo Rodrigues têm menos direitos do que as pessoas que nasceram na linha Lisboa-Cascais? Ou intelectualmente na Palma de Cima à sombra do senhor capelão Seabra (também lá andei...)? Sinto da sua parte algum tique pós colonialista (estilo perdeu-se a Guiné e Angola, ficaram os Açores...).
Conheço Amaral e Rodrigues, não concordo com eles em quase nada, mas como açoriano não posso deixar de lamentar esta referência à origem Açoriana como sendo algo de pejorativo. Ser açoriano é, provavelmente, uma das melhores coisas do mundo (mas talvez seja preciso ser açoriano e livre de preconceitos políticos ou colonialistas para o perceber).
E é verdade, os Açores são dos açorianos...

Cumprimentos.

António João Correia

rmvsantos disse...

Com o seu devido grau de "aplicabilidade / actualidade", não resisto em compartilhar o seguinte:

"Referindo-se a Estalinegrado (...), Hitler disse aos seus Gauleiters reunidos para o escutarem num conclave secreto, em Rastenburg: «Aquilo que estão a testemunhar é uma catástrofe de dimensões inauditas»; e acrescentou: «Os russos avançam, os romenos rendem-se, os húngaros não combatem». Depois, diria ainda: «Se o povo alemão falhar é porque não merece que combatamos pelo seu futuro, e poderemos riscá-lo com equanimidade.»

in Pág. 526 - A Segunda Guerra Mundial de Martin Gilbert, edições D. Quixote.

Do acima trata-se de reposicionar algumas personagens actuais como um tal de "Rodrigues" ou e Rui Pedro Soares na pele de "Gauleiters", isto entre outros.

Dois anos após a Alemanha tinha sido derrotada.

A

Rui