20.6.10

ALEGREM-SE QUE AMANHÃ É OUTRO DIA



Entre nós, o panteão é mais ou menos um lugar obscuro, simbolicamente irrelevante, que acolhe figuras pátrias pelas mais disparatadas razões consoante o caprichismo dominante. Saramago ficar ou deixar de ficar lá é mais uma questão de lobby político do que de mérito literário ou nacional. Aquilino está por causa da maçonaria e não por ter sido um extraordinário escritor ou um egrégio patriota. Entre Herculano, Garrett, Junqueiro e João de Deus talvez apenas o primeiro merecesse a "distinção" porque percebeu perfeitamente o que isto sempre foi, da política à literatura, salvo duas ou três excepções. Uma choldra que dá vontade de morrer.

Adenda (Alberto Gonçalves, no DN, para "variar"):

«Portugal ficou mais pobre? Se a pobreza for de espírito e a julgar pelas carpideiras, sem dúvida. A morte de José Saramago iniciou uma competição de louvores e levou uma extraordinária quantidade de sujeitos, notáveis e anónimos, a elogiar um homem que, evidentemente a título elogioso, todos acham "polémico". É verdade que Saramago tentou a polémica. E se agora muitos aconselham a separar o autor da respectiva obra, é igualmente verdade que o conselho não possui efeitos retroactivos. Após O Evangelho... e sobretudo após o Nobel, que insuflou Saramago com uma importância proporcional à importância que um país periférico dá a essas coisas, os seus romances confundem-se frequentemente com sebentas de apoio às controvérsias públicas que o autor buscava e, na maioria dos casos, obtinha. Menos lidos do que comentados, os livros de Saramago pareciam-se com uma mera versão escrita do chinfrim que o próprio anunciava ainda antes de cada publicação e se esforçava por alimentar depois. E tudo isso para quê? Vasculha--se a imprensa e, entre a excitação dos epitáfios, não se encontra uma voz dissonante. Saramago orgulhava-se de fomentar inimigos, mas, fora dos comentários sem rosto na Internet, aparentemente não há um com a decência de aparecer e proclamar que desprezava a obra ou que detestava o autor. Para quem se sonhou incómodo, não haverá maior traição do que partir neste sufocante consenso


7 comentários:

Anónimo disse...

Meta a vuvuzela no cu.

Anónimo disse...

Panteão, cinzas, velório, lápides, epitáfios, discursos, cerimónias, esquife, bandeiras, falsas bandeiras, política, aproveitamento, moral, moralistas, censores, fanatismo, lágrimas de crocodilo, crocodilos, analfabetos, marxistas-leninistas, comissários, ex-secretários-gerais, falsas viúvas, semi-viúvas e viúva, filhos e afilhados, fidel castro e as prisões políticas de cuba, ministra e outros ministros, cartilhas e canavilhas, prémios, prémio, dinheiro, editores e edições, papel e papel, cheiro a morte e vampirismo. Merda. Mausoléu com ele.

Ass.: Besta Imunda

carol disse...

As escolhas têm sempre quem se lhes oponha, naturalmente! Se o autor deste blog fosse nomeado para para ser recolhido no panteão depois do seu passamento, o que pensaria?

burns disse...

importa-se de me explicar qual o critério para levar para o panteão um saneador que passou os últimos anos a destratar portugal,um extremista militante que se fartou de enxovalhar credos e culturas?

isabel de Deus disse...

Garrett ainda tem a seu favor o ter reconhecido que a substituição liberal do "frade" pelo "barão" só trouxera desvantagens.E estava a criticar um regime pelo qual se batera de armas na mão e que muito o glorificou.

Anónimo disse...

Talvez o autor desse texto, o Sr. Alberto Gonçalves, pudesse considerar, nem que fosse "en passant", por um segundinho apenas, que a razão de não aparecer ninguém a confessar que despreza a obra de Saramago, pode dever-se a, havendo quem a leia, não haver muitos que a desprezem.

Em vez de considerar ao menos esta hipótese, o sr. Gonçalves prefere embarcar no sucedâneo de uma teoria da conspiração, onde talvez milhares ou milhões, porque não, que desprezariam a obra de Saramago, por alguma razão desconhecida ou secreta, não o querem admitir publicamente.

E para prevenir o caso de não haver mesmo muita gente que tendo lido Saramago não despreze a sua obra, vem com a conversa da mentalidade de "país periférico", aliás muito consonante com "o país de parolos" que é uma das teses do próprio autor do Blog.

João.

Anónimo disse...

Alberto Gonçalves é um filho da puta que defende a tortura. nuno de magalhães