25.6.10

O PODER DAS PALAVRAS


«When words lose their integrity so do the ideas they express. If we privilege personal expression over formal convention, then we are privatizing language no less than we have privatized so much else. “When I use a word,” Humpty Dumpty said, in rather a scornful tone, “it means just what I choose it to mean—neither more nor less.” “The question is,” said Alice, “whether you can make words mean so many different things.” Alice was right: the outcome is anarchy. In “Politics and the English Language,” Orwell castigated contemporaries for using language to mystify rather than inform. His critique was directed at bad faith: people wrote poorly because they were trying to say something unclear or else deliberately prevaricating. Our problem, it seems to me, is different. Shoddy prose today bespeaks intellectual insecurity: we speak and write badly because we don’t feel confident in what we think and are reluctant to assert it unambiguously (“It’s only my opinion…”). Rather than suffering from the onset of “newspeak,” we risk the rise of “nospeak.” (...) Though I am now more sympathetic to those constrained to silence I remain contemptuous of garbled language. No longer free to exercise it myself, I appreciate more than ever how vital communication is to the republic: not just the means by which we live together but part of what living together means. The wealth of words in which I was raised were a public space in their own right—and properly preserved public spaces are what we so lack today. If words fall into disrepair, what will substitute? They are all we have.»
Tony Judt

10 comentários:

Alex disse...

“I was raised on words. They tumbled off the kitchen table onto the floor where I sat: grandfather, uncles, and refugees flung Russian, Polish, Yiddish, French… Sententious flotsam from the Edwardian-era Socialist Party of Great Britain hung around our kitchen promoting the True Cause. I spent long, happy hours listening to Central European autodidacts arguing deep into the night: Marxismus, Zionismus, Socialismus. Talking, it seemed to me, was the point of adult existence. I have never lost that sense.” Tony Judt

Para além das palavras e do saber usá-las – o que muitos não sabem – não devemos negligenciar as acções, igualmente importantes.

Alex disse...

Não pretendi complementar a parte do texto que seleccionou....

floribundus disse...

«palavras leva-as o vento»
acção precisa-se

Anónimo disse...

«Estão podres as palavras - de passarem / por sórdidas mentiras de canalhas / que as usam ao revés como o carácter deles».

Nelson Marques disse...

Em tempos, passei um verão inteiro na Califórnia, em Mountain View, relativamente perto de San José. Na altura, senti como incómodo o peso dum estado abertamente policial, não importa agora qual a tutela que o exercesse. Dito de outro modo, pelo estranho da situação de ter sempre polícia por perto, não me senti "livre". Hoje, entendo isso de uma forma diferente, enganado que estava quanto à real liberdade, que passo a enunciar: livre é quem pode fazer o que está correcto, e não quem faz o que quer.

A minha linguagem é simplista e não dá para mais, mas penso que se perceba.

Esse "Eu acho" vem daí, de se querer, à força se necessário, fazer sempre o que se quer!

Noutro tom, palavras úteis as do PR ontem.

Paz

Anónimo disse...

Este pobre homem, se vivesse cá, já teria dado entrada no Miguel Bombarda com uma depressão clínica irrecuperável e tiques permanentes e irreversíveis.

Ass.: Besta Imunda

João Gonçalves disse...

Besta.... já sofre o suficiente.. leia o texto na íntegra e perceberá.

Anónimo disse...

Pois então sofreria mais. Até porque entre nós, latinos do Sul-Oeste-fim-do-mundo-conhecido, acobardados, voluntariamente ignorantes e a desejar permanentemente o engano pela imagem - conseguimos com particular êxito amalgamar fragmentos de ideias, palavras prostituídas e mentiras numa corrupção original do raciocínio. A democratização alarve do verbo e a mediocrização das mentes está em curso e é imparável. É este o meu limitado - e talvez equivocado -entendimento da coisa, Dr. Gonçalves.

atentamente, seu

Besta Imunda

Garganta Funda... disse...

Como disse a Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, aquando das cerimónias fúnebres do nosso Prémio Nobel: «Não há palavras, Saramago levou-as todas».

Não havendo palavras, nem podendo nós exercer o poder através destas, resta-nos passar à acção directa e consequente.

Mocas, tacos de basebol e aguilhadas para bois serão bons intrumentos para os tempos que correm.

Mais acção e menos paleio.

Anónimo disse...

" A riqueza (ou fartura?) de palavras na qual fui educado era um espaço público no seu próprio direito - e espaços públicos acertadamente preservados é justamente o que tanta falta nos faz hoje. Se as palavras forem maltratadas (gastas? estragadas?), o que as substituirá? As palavras são tudo o que temos."

É pena que isto não esteja em inglês técnico. Esse, para mim, é acessível. Até já tenho dificuldade em ler o meu francês tal é, actualmente, a bandalhização das palavras e dos raciocínios que elas devem suportar. Um exercício exigente e ingrato é ler memórias descritivas de arquitectos - e ainda mais discuti-las. Aí não falta liberdade - há até excesso dela - e as mais difíceis de discernir, mesmo sendo eu do ofício, são escritas em português.

Ass.: Besta Imunda