
Como previsto, o governo apresentou ao país o seu PEC, quinto, talvez, se contarmos com o que Passos negou a Sócrates. Trata-se do PAEF concluído em Maio último corrigido, aumentado e diminuído consoante as perspectivas. Politicamente é um documento que se destina a "entalar" o PS: "digam-nos, sff, como e em que medidas podem fazer distintamente disto e qual o custo dessa diferença". E é uma decorrência provinciana do estúpido tratado orçamental relativamente ao qual ninguém tem a coragem de promover propostas de revisão. O "bloco central" é o tratado orçamental e vice-versa, não é preciso inventar um. Depois, contam alguns jornais que a "vontade" de transformar o vazio ex-reitor Nóvoa numa espécie de Américo Tomás travestido de "abrilista" reciclado se estende a três antigos PR incluindo Eanes. Como amigo de sempre de Eanes, só posso lamentar. Erra, como errou com o PRD e Zenha, e não compreendo este acrisolado e súbito temor reverencial por António Costa (sim, é disso que se trata, e não de Nóvoa que não conta nada) mesmo antes de Costa merecer genuinamente algum. Talvez, também, por o senhor reitor, em cinco minutos, ter conseguido juntar três ou quatro poetas nacionais numa arenga "unitária" na Aula Magna. Ou por emergir, desde Junho de 2012 pela mão de Cavaco, como o mínimo denominador comum metafísico da parte bem sentada de um regime que aprecia saloiamente a gravitas académica. Por outro lado, li que Henrique Neto disse não sei a quem que tencionava votar no PS nas legislativas. Trata-se, parece-me, de uma declaração esdrúxula uma vez que, sendo militante do dito partido, não seria verosímil outra opção. Não diminui o carácter nacional da sua candidatura - Soares, Sampaio e Cavaco nunca esconderam as origens e as opções em eleições legislativas e receberam apoios diversificados - mas não deixa de ser, naqueles termos, redundante. Finalmente soube-se que o novo conselho de administração da RTP - que o regime quis que permanecesse todinha pública - vai remunerar-se, com autorização do governo, diferentemente dos restantes gestores públicos, acima do PR e do PM. É uma vergonha. Não me venham falar em "impulsos reformistas" e em "reformas estruturais" quando, na prática, reforçam o sistema e insultam, com gestos destes, o mais que aviltado mundo do trabalho e de quem já trabalhou. Isto dá vontade de morrer como melancolicamente se exauriu o exilado de Vale de Lobos? Não. Dá vontade de mandar isto à merda.
1 comentário:
Porque é que hoje, mesmo os grande homens, parecem pequenos?
A sua conclusão, demolidora, é muito oportuna.
Nas próximas eleições presidenciais, vou dar-lhe andamento.
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