2.3.09

HOMENS E COBARDES


Morreu, assassinado, Nino Vieira, presidente dessa ficção chamada Guiné-Bissau, uma das muitas tragédias que deixámos por esse mundo fora. Nino foi um dos mais notáveis guerreiros do PAIGC, um combatente nato, um bicho de terreno. É a sua voz que podemos escutar na declaração unilateral de independência, em pleno mato, muito antes da desgraçada "abrilada" descolonizadora. Não era decididamente um "político" como Amílcar Cabral. Há dez anos, em Paris, eu estava sentado na esplanada de um bistrot perto da Praça da Madeleine quando passou um pequeno grupo de guineenses onde Nino se incluía. Apertei-lhe vigorosamente a mão e saudei-o por esse passado de coragem física que distingue para sempre um homem de um cobarde. Morreu como lhe competia. Como um homem às mãos de cobardes.

Nota: Parece que alguns leitores viram neste post um "elogio" ao político. Não é. Nino foi tão ditador e plutocrata como tantos dirigentes africanos foram ou são. O que me interessa salientar é o perfil do guerreiro. Nada mais. E quanto a ter-lhe apertado a mão, não vem daí mal ao mundo. Já apertei a mão de tanto fdp.

16 comentários:

Anónimo disse...

Na edição do DN de 27 de Fevereiro não encontrei a entrevista do Prof. Magalhães Godinho (vd. sua informação no post de 27/2 "Uma sociedade e um líder confrangedores").Peço-lhe, pois, o favor de confirmar jornal e data.
Desculpe usar a caixa de comentários para este fim mas creio não haver aqui endereço de mail.
Obrigada. Maria João

Anónimo disse...

nesga de terra demasiado pequena para tanta etnia, religiões e linguas.
a colonização foi igual à descolonização; miséria, fome, cadáveres

Renato_Seara disse...

Bem por momentos pensei que o senhor estivesse a falar de um grande lider tal como Nelson Mandela...mas nao esta a falar de um ditador que durante anos liderou com mao de ferro os pobres guineenses, sendo que as condiçoes de vida na Guine foram sempre miseraveis...por isso nao vejo que grande homem é esse a que o senhor se refere...Cumprimentos

João Gonçalves disse...

Quanto a Magalhães Godinho, confirmo a edição do DN de dia 27, no meio, a entrevista em duas páginas. Quanto ao leitor Renato, é a sua opinião. Mas, se reparar, não foi sobre isso que escrevi. Foi sobre homens e cobardes.

Anónimo disse...

Em sequência do post de RS ...ditador esse, responsável pela morte de centenas de soldados Portugueses. Ah ! e aquela visita ao Hospital onde se encontrava o General Spinola, e a hospedagem numa das casas do major Valentim em Gaia na Rua Gil Eanes - com 2 seguranças à porta - que bonito, que homem!

Anónimo disse...

Salazar, Nino Vieira, Santana Lopes, Manuela Moura Guedes. A forma como eles são desconsiderados pelo "regime" mostra bem, como diz o amigo seu, que as portas não estão dimensionadas para pessoas altas.

Cumprimentos,
Fernando Cerveira

Joao Quaresma disse...

Desta vez não concordo consigo.

Pela mesma ordem de ideias, a mulher de Nino deveria ser soterrada viva em arroz, do qual ela tem o monopólio do comércio na Guiné, e que é uma das bases da alimentação de todo um povo.

O homem pode ter sido um combatente, mas pelo que ele fez ao seu próprio povo se vê para que fim combateu. Foi corajoso, mas um facínora corajoso, que lhe valeu uma carreira de guerrilheiro, de carrasco (quem comandou os massacres no tempo de Luis Cabral), de ditador comunista, de tirano populista e mais recentemente de protector do naco-tráfico. Um Guerreiro, nunca.

Não, eu nunca lhe apertaria a mão.

Renato_Seara disse...

sim mas...e acha Nino Vieira um valentão??ora bem, eu sou novo ainda so vou nos 22 anos, nao sou perito em historia embora goste muito de ler sobre factos historicos...factos esses que sempre me levaram a crer que Nino agiu sempre como um cobarde, alias qual o ditador que não e um cobarde?! alias a propria tactica de combate do PAIGC era de cobardes, baseava-se no fundo em guerrilha, mesmo contando com tantos homens e praticamente os mesmos meios que o nosso exército!Cumprimentos

Anónimo disse...

Faço minhas as palavras de João Quaresma.
Nunca sujaria as mãos nas dele.
Ninguém quer lembrar as purgas que fez,assassinando os antigos combatentes que vestiram as nossas côres,um morticínio.
O João Gonçalves escreveu sobre coragem e cobardia,não creio que fosse sobre HOMENS corajosos ou cobardes.
Hitler foi muito corajoso,no entanto parece que ninguém o lembra por essa virtude.
Mas todos somos,felizmente,livres para fazer as nossas escolhas e respeito as alheias com é dever.

Anónimo disse...

«a propria tactica de combate do PAIGC era de cobardes»
Andam por aqui umas tantas inverdades.
a) Sem o golpe de Estado (25Abril), que lamentavelmente não foi feito pelos generais, por Spinola (incapaz de ser De Gaulle), não tardaria muito que o exército de Nino tivesse massacrado uma guarnição portuguesa completa, ou aprisionado uma centena de militares portugueses e os tivesse levado para o outro lado da fronteira.
Estávamos destinados, a ter ali o nosso Dien bien Fhu.
b) Pelos crimes de Nino após a independência, ao deixar assassinar os nossos comandos africanos, deviam responder, também, alguns dos actores políticos e militares portugueses de então.
c) Quanto ao perfil do guerreiro traçado pelo João G, nada a opor, antes pelo contrário.
JB

Anónimo disse...

E lavas as mãos? Pilatos lavava-as!

Podemos admirar algumas dimensões de um homem, mas não podemos esquecer o todo, o carácter! Uma coisa é reconhecer genialidade, coragem, etc. outra é apertar a mão, gesto de amizade ou de consideração por um facínora. Matou gente de bem, tal como alguns de nós, e só por isso deve ser repudiado. Não lhe desejava a morte, talvez a sua presidência fosse um mal menor, mas apertar-lhe a mão e reconhecer que já se apertou a mão a muito fdp... dirá alguma coisa de si, não acha?

Anónimo disse...

Não lhe apertaria a mão. Não aperto a mão a assassinos nem aos que combateram os Portugueses apenas para ganharem o poder e escravizar os seus povos.

joserui disse...

Apertar vigorosamente a mão de um homem, porque a dada altura demonstrou coragem física, é no mínimo muito escasso.
Não me informaram se morreu à mão de cobardes ou de corajosos; se corajosamente ou cobardemente. E para ser franco, não me interessa.
Atravessamos um mau momento neste blogue. -- JRF

VANGUARDISTA disse...

Meu caro João!
A esperança de alguns povos oprimidos e roubados é que todos os f.d.p. a que apertaste ou apertares a mão acabem assassinados!

Joaquim Alves disse...

Venho aqui muitas vezes mas ainda, julgo eu, nunca tinha deixado um comentário.

Hoje faço-o porque leio aqui o seguinte:
«alias a propria tactica de combate do PAIGC era de cobardes»

A guerra da Guiné, como praticamente todas as guerras hoje em dia são guerras de guerrilha e como tal com caracteristicas bem diferentes do que podemos chamar as guerras convencionais.

Mas houve combates, e muitos, frontais, cara a cara, sem se ter revelado quer de um lado quer do outro essa cobardia de que aqui se escreveu.

Nino Vieira era um caomandante eximio, o melhor do PAIGC, e este deve-lhe muito de algum êxito que teve em operações guerra na Guiné.

O combatente Nino Vieira foi sempre um homem corajoso, e sempre respeitou o inimigo, ou seja, as Forças Armadas Portuguesas, e estas sempre o respeitaram.

O poder corrompeu-o e é triste ver um homem que combateu pela liberdade do seu povo, vir a atraiçoar esses ideais quando se deixou corromper pelo poder, e ser morto por aqueles com quem lutou.

Presto homenagem ao combatente, repudio o "politico".

Sei do que falo pois estive na Guiné como oficial miliciano sempre em zonas de guerra desde finais de 1971 a finais de 1973.

Nuno Castelo-Branco disse...

Esta coisa de ser monárquico, salva-me de situações embaraçosas. Assim, quando não me apetece "apertar a mão" - esse costume herdado da velha Pérsia -, limito-me a inclinar deferentemente a cabeça. É tudo.