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2.3.09

HOMENS E COBARDES


Morreu, assassinado, Nino Vieira, presidente dessa ficção chamada Guiné-Bissau, uma das muitas tragédias que deixámos por esse mundo fora. Nino foi um dos mais notáveis guerreiros do PAIGC, um combatente nato, um bicho de terreno. É a sua voz que podemos escutar na declaração unilateral de independência, em pleno mato, muito antes da desgraçada "abrilada" descolonizadora. Não era decididamente um "político" como Amílcar Cabral. Há dez anos, em Paris, eu estava sentado na esplanada de um bistrot perto da Praça da Madeleine quando passou um pequeno grupo de guineenses onde Nino se incluía. Apertei-lhe vigorosamente a mão e saudei-o por esse passado de coragem física que distingue para sempre um homem de um cobarde. Morreu como lhe competia. Como um homem às mãos de cobardes.

Nota: Parece que alguns leitores viram neste post um "elogio" ao político. Não é. Nino foi tão ditador e plutocrata como tantos dirigentes africanos foram ou são. O que me interessa salientar é o perfil do guerreiro. Nada mais. E quanto a ter-lhe apertado a mão, não vem daí mal ao mundo. Já apertei a mão de tanto fdp.

HOMENS E COBARDES


Morreu, assassinado, Nino Vieira, presidente dessa ficção chamada Guiné-Bissau, uma das muitas tragédias que deixámos por esse mundo fora. Nino foi um dos mais notáveis guerreiros do PAIGC, um combatente nato, um bicho de terreno. É a sua voz que podemos escutar na declaração unilateral de independência, em pleno mato, muito antes da desgraçada "abrilada" descolonizadora. Não era decididamente um "político" como Amílcar Cabral. Há dez anos, em Paris, eu estava sentado na esplanada de um bistrot perto da Praça da Madeleine quando passou um pequeno grupo de guineenses onde Nino se incluía. Apertei-lhe vigorosamente a mão e saudei-o por esse passado de coragem física que distingue para sempre um homem de um cobarde. Morreu como lhe competia. Como um homem às mãos de cobardes.

Nota: Parece que alguns leitores viram neste post um "elogio" ao político. Não é. Nino foi tão ditador e plutocrata como tantos dirigentes africanos foram ou são. O que me interessa salientar é o perfil do guerreiro. Nada mais. E quanto a ter-lhe apertado a mão, não vem daí mal ao mundo. Já apertei a mão de tanto fdp.