10.12.12

Coisas que interessam

«While the European Union remains a major industrial power, three million industrial jobs have been lost since 2008, and industrial production is 10% below pre-crisis levels. Our future success depends on having a strong, diversified and sustainable growth model, one in which industry plays a key role as a major source of job creation, investment, innovation and human capital. A strong, renewed and modernized industrial base will allow the real economy to lead Europe's recovery. In our countries we have some good starting points. There are several sectors in which Europe is a world leader. However, we need a larger share of competitive companies that are able to operate in a wider range of sectors within an open and increasingly internationalized environment. It is up to our students, researchers, workers and entrepreneurs to innovate and take a leading role in this transition. But public authorities also have the responsibility to adopt measures to strengthen our companies and the business environment in which they operate. We have to address these major challenges both at the national and European levels. There are several fronts: promoting structural reforms, ensuring that regulation is enacted in a way that supports competitiveness, and deploying an industrial policy able to strengthen our industrial foundations and remove our main imbalances.»


 


 



Mr. Soria is Spain's minister of industry, energy and tourism. Mr. Pereira is Portugal's minister of economy and employment. Mr. Passera is Italy's minister of economic development. Mr. Montebourg is France's minister of industrial renewal. Mr. Rösler is Germany's minister of economics and technology.


 


Adenda: Os meus amigos do 4ª República terão lido esta cartinha? Não estou habituado a vê-los alinhados pelo lugar-comum e pela doxa.

O Francisco de volta






«Podemos livrar-nos dos erros do Acordo.»

Por cá

Malgré tout, há coisas que avançam. O Rui Calafate dá nota de uma delas. E, por exemplo, aqui  dá-se nota de outra.

"Europa", a coisa intraduzível


 


O Nobel da Paz é entregue, em Oslo, ao extraordinário trio institucional que dirige a "Europa", a saber, o presidente da Comissão, o presidente do Conselho e o presidente do Parlamento. Assistem ao evento alguns dirigentes europeus e canta uma banda portuguesa cujo nome não retive. A "Europa" recebe o prémio alegadamente por causa da pax europaea e pelo que representa para ela própria, em especial, e para o mundo, em geral enquanto "comunidade" política e económica. Isto acontece no princípio de uma semana em que um dos países mais ricos e industrializados dessa "comunidade, a Itália, ameaça voltar à instabilidade e à incerteza depois de Monti anunciar uma putativa saída e Berlusconi revelar um putativo regresso. E acontece quando a "ideia de Europa" não podia andar mais nas ruas da amargura. Os famosos mercados, aliás, já começaram a balir. Mais do que a tal banda lusa, o que seria mais adequado ouvir em Oslo seria um fado. Porque "fado" não tem tradução em mais nenhuma língua e a Europa, hoje, é isso mesmo: uma coisa intraduzível.

9.12.12

Tratamento exemplar

O advogado Magalhães e Silva, no Correio da Manhã, escreve que é preciso ter "coragem de proibir a publicação de factos em segredo de justiça e cominar prisão efectiva para quem o fizer.» E remata: «verão como acabam logo as violações do segredo de justiça.» Tem toda a razão.


 

8.12.12

A mais bela ária sobre a dor de corno da história da ópera

Um baile de máscaras


 


O que se passou com Henrique Medina Carreira é revelador. E só é revelador porque se tratou de Medina Carreira e não de um "john doe" qualquer. Essa nuance permitiu trazer à superfície o pior da nossa sociedade - ela mesma, a sua "justiça" e a sua trituradora mediática. Um "nome de código" chegou para montar um número de circo e enxovalhar uma pessoa. A quantos anónimos não acontecerá o mesmo sem que jamais venhamos a saber o que realmente lhes aconteceu? Uma comunidade não pode ser capturada pelo medo, pela bufaria, pelos cobardes ou pela complacência néscia ou dolosa das "instituições". Porque se assim for deixa de ser uma comunidade e não passará nunca de um miserável ajuntamento de biltres.


 


 


Adenda: E agora vou para a Gulbenkian assistir ao Baile de Máscaras do Verdi em directo de Nova Iorque. Até vem a propósito, sem ofensa para o Mestre italiano.

7.12.12

Soares menino e moço

 



 






«O principal para que o Governo tenha êxito é saber persistir. Ter a coragem de não mudar de rumo, independentemente dos acidentes de percurso. Recomeçar, pacientemente, quantas vezes forem necessárias. Tomar decisões. Não se deixar perturbar por agressões verbais, por incompreensões ou por injustiças. Aguentar de pé. Para os homens de convicção e de recta consciência, o que conta é sempre - e só - o futuro.»


Mário Soares, Primeiro-Ministro, 15 de Maio de 1984 (in A Árvore e a Floresta, Perspectivas & Realidades, 1984)



Parabéns!

Liberdade de acção

Estava a observar o programa Prova dos 9, na tvi24, e constatei a boa disposição ironista do Medeiros Ferreira que muita alegria me deu. Aprendi com o Medeiros, há mais de trinta anos, o valor da liberdade de acção na política. Mesmo no descaso de um ou outro desencontro contingente, essa "lição" foi para a vida. Reivindico-a tanto para os outros como para mim próprio.

6.12.12

Resistência e aliados






«M. Rajoy, com o apoio florentino de Mario Monti e a cumplicidade de François Hollande, tem conseguido até agora resistir e abrir outras vias para responder às dificuldades de Espanha, tendo entretanto obtido da Comissão Europeia um empréstimo de 37 mil milhões para reestruturar o sector bancário, com juros a 1%, enquanto (é bom lembrá-lo) nós quase pagamos quase 4%! Mas o horizonte continua muito carregado. Resistir é talvez o termo que melhor caracteriza o estado de alma que está a generalizar-se nos povos do Sul da Europa, onde toda a gente já percebeu que nos últimos dois anos a Alemanha tem seguido uma política estritamente nacional, e que o fez e continua a fazer colando-se cinicamente aos mercados, transformando as contingências do momento em necessidades estruturais da sua conveniência - assim se impondo cada vez mais a toda a Europa. Ironia do destino ou erro de estratégia, o facto é que o euro, que foi criado para controlar uma assustadora Alemanha reunificada, se transformou entretanto no instrumento da hegemonia alemã, perante a cegueira, a indolência e a irresponsabilidade dos seus parceiros, que a História julgará severamente. Pressinto, por isso, que há palavras que vão aparecer cada vez mais no nosso vocabulário corrente: "resistência" é certamente uma delas, "aliados" será talvez a outra. E a sua conjunção devia, por si só, fazer pensar muita gente que anda muito distraída. Gente que ainda não percebeu que a própria Europa está a tornar-se - mais do qualquer das clivagens políticas tradicionais - no tópico político mais fracturante nos países da União Europeia.»


 


M. M. Carrilho, DN