10.12.14

Os futuros "donos disto tudo"


 


O comentário que reproduzo parcialmente em seguida - oriundo de uma leitora fiel que tive o prazer de conhecer pessoalmente na Livraria Almedina, em Coimbra, quando era vivo - sumariza, com uma felicidade ironicamente infeliz, a nossa miséria instintual e intelectual. «Tenho pena, sobretudo, dos jovens para quem trabalho e que envio, por exemplo, para a Cidade Universitária. Não, não imagino nenhum deles, nem os melhores (que a sociedade induz a ler Peixotos e afins), a frequentar as livrarias que refere, nem nenhuma das que a sua e a minha geração tinham quase como templos. Uma espécie de decadentismo abúlico vem apoderar-se de mim e há muito que noto estéril o meu combate, enquanto professora, por um Ensino que não configure aquilo a que vou chamando genocídio cultural. Há dias, um colega, professor de Filosofia, perguntou numa turma de 11º ano (nem sequer das piores), o significado de "filatelia". Perante a ignorância geral, apenas um aluno arriscou que devia ser "gostar de filetes" Os futuros "donos disto tudo", parte já em funções institucionais em coisas como parlamentos, partidos e governos e outra ainda a "aprender" para lá chegar, vão ser na generalidade assim. Não lhes faltam, aliás, azeiteiros a título de "bons exemplos". Ao contrário da Isabel, não lamento estes labregos por vir. Somos, em plural majestático,  mesmo assim.

4 comentários:

isabel de deus disse...

Agradeço a simpatia e,mais uma vez me solidariza com a apreciação que faz da nossa indigência política. Tenho, contudo pena dos meus jovens, porque os vejo sofrer da pior pobreza,  a ignorância. É porque tudo isto tem culpados.

fado alexandrino disse...

Ia comentar o post anterior mas assim aqui, é mais simples. (não vou fazer parágrafos porque, aparentemente, anda por aí um bug que dá c abo das frases). Houve um tempo em que havia exames de 3ª classe, 4ª classe, admissão ao Liceu, e não vale a pena adiantar mais nada pois todos aqui o sabemos. E havia chumbos e havia alguns, muitos que ficavam pelo caminho. Era a lei da vida. Mas modernamente todos têm que ser doutores, nem que seja à força. Já não há chumbos, ma realidade já nem há exames o que facilita não ter que estudar. Quem é culpado? O eduquês? Não, todos nós que autorizamos que esta bandalheira, da qual a resposta até é um cubo de gelo perante o iceberg se institucionalizasse. Somos assim, e ainda podemos piorar. Uma tristeza.

IsabelPS disse...

Olhe que não, olhe que não...
http://ppl.com.pt/pt/prj/sermos-donos-disto-tudo

Pedro disse...

A propósito de filatelia e do DDT, quando o compadre deste, escritor, jornalista, comentador, paineleiro, verdadeiro SDT (Sabe De Tudo), dizia há tempos na SIC que os ricos em Portugal não tinham sentido de filatelia, está tudo dito:


http://sicnoticias.sapo.pt/opiniao/2013-03-04-miguel-sousa-tavares-sobre-as-dividas-do-bpn