1.12.14

O descaso social-democrata


 


 Se alguma coisa há a concluir das mais recentes "movimentações" dos dois principais partidos portugueses é que a social-democracia recuou no país. O PS de Costa lembra o fatídico PRP, depois Partido Democrático, do seu homónimo Afonso. Preside-lhe o antigo caudilho açoriano César o qual, aliás, resumiu o congresso tal como geriu, em regime de maioria absoluta, a vida pública da Região Autónoma: a apoteose da "unanimidade". Este Costa, como o que o antecedeu na fatídica I República, pretende "abafar" a concorrência à sua esquerda com uma direcção onde mistura franco-atiradores desprovidos de "ideologia" com a nomenclatura partidária "tradicional" que está habituada, praticamente desde Soares e desde pequenina, a seguir os "tempos" e o chefe circunstancial. O afastamento de Assis ou a ausência de Carrilho, bem como a recusa de Jaime Gama em entrar no circuito das apostas presidenciais, são exemplos práticos daquele retrocesso no PS tacticista de António Costa. No PSD esse retrocesso tornou-se mais patente com a emergência de Passos Coelho e do seu "liberalismo em forma de assim". A coligação e o austeritarismo associal do "programa de ajustamento" ajudaram a remover qualquer veleidade social-democrata ou reformadora na execução do programa do governo salvo aqui ou ali. Talvez só nas eleições presidenciais, com Marcelo ou Guterres (o resto é paisagem), se poderá recalibrar este descaso que mediocratiza, para já sem remédio, a vida dos dois maiores partidos nacionais.

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