
Agora é Alcochete e, a custo, o governo adia por uns meses a definitividade da Ota. Para perceber o que move tanta gente a favor da Ota, convém estar atento a quem mais espernear nos próximos dias contra alternativas. Sobretudo para descortinar se alguns "acordos verbais" - uma modalidade metajurídica com muito sucesso no regime e independentemente da cor - já estariam "celebrados" a contar com os aviões à volta da montanha de seiscentos e tal metros lá bem pertinho da dita Ota. No meio deste arraial, esquece-se a Portela. Ou melhor, tirando o dr. António Costa que já praticamente só vê bosques e terra onde agora existe o aeroporto de Lisboa, ninguém dá ideia de estar muito interessado na preservação da Portela, justamente a esse título, de aeroporto de Lisboa. Sei que sou anacrónico, porém defendo a Portela contra o novo-riquismo obrigatório que nem sequer se dá ao luxo de a repensar enquanto equipamento aeroportuário fundamental da cidade e do país. Lisboa morre todos os dias um pouco mais com o cair da tarde. Uma Portela "verde" com que sonham o dr. Costa e, porventura, demais corifeus do regime, seria mais uma machadada na depauperada qualidade de vida cosmopolita de Lisboa. Todavia, a malta do betão é que sabe. É só seguir-lhe os passos.