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13.4.14

Para sempre a beleza de ter sido



No Canal ARTE, Gréco, a insubmissa. Não só mas também porque os nossos, aos domingos à noite,  parecem disputar a "palma de ouro" da imbecilidade. «Juliette Gréco virá até nós - cantar, dizer as palavras dos poetas, de um tempo em que a poesia era uma forma de respirar e habitar as manhãs, e atravessar os telhados de Paris, e organizar a Resistência, e ouvir jazz nas caves de Montparnasse, e fotografar um beijo infindável diante do Hotel de Ville, e encontrar Kikki e Gainsbourg. Os poetas são Mac Orlan e Léo Ferré, Queneau ou Prévert, Brel ou Desnos. O que quer dizer que estas palavras estão certas como um tempo que foi e é para sempre a beleza de ter sido.» (Eduardo Prado Coelho). Boa noite e boa sorte.


Foto: Richard Dumas

12.8.08

GRÉCO



«Será por isso que a porta vai rodar de novo, silenciosamente, e eternamente vestida de negro, de cabelos negros, de olhos negros, de luminosas palavras enegrecidas pelo metal da voz, Juliette Gréco poderá aparecer: atravessou rostos e paisagens, portos e bares gingados, manhãs cinzentas de tédio, os filmes de vidas suspensas em torno de um copo de vinho, ouviu o riso do acordéon, brincou com o garota na esquina da rua des Blancs-Manteaux, e recomeçará a dizer com a sua voz felina e espreguiçada: "Désabillez-moi/ Désabillez-moi/ Oui, mais pas tout de suite/ Pas trop vite."(...) Havia um pássaro e havia um peixe, e havia entre eles um amor de ternura sem fim: mas como fazer quando um está na água, e o outro lá em cima? Uma formiga de dezoito metros com um chapéu na cabeça - não existe, não existe. Uma formiga puxando um carro de pinguins e de patos feios - não existe, não existe. Mas porque não?, mas porque não? - perguntam os poetas. Mas porque não? - pergunta a Gréco. Ainda. Sempre. Com ela estaremos de novo mais altos do que no dia, mais longe do que na noite. Estaremos (vê, ouve, está) na luz deslumbrante do primeiro amor.»

Eduardo Prado Coelho

(
Nota: Gréco vem, de novo, em Outubro, a 14 e a 16, respectivamente à
Casa da Música, do Porto, e ao CCB, em Lisboa)

GRÉCO



«Será por isso que a porta vai rodar de novo, silenciosamente, e eternamente vestida de negro, de cabelos negros, de olhos negros, de luminosas palavras enegrecidas pelo metal da voz, Juliette Gréco poderá aparecer: atravessou rostos e paisagens, portos e bares gingados, manhãs cinzentas de tédio, os filmes de vidas suspensas em torno de um copo de vinho, ouviu o riso do acordéon, brincou com o garota na esquina da rua des Blancs-Manteaux, e recomeçará a dizer com a sua voz felina e espreguiçada: "Désabillez-moi/ Désabillez-moi/ Oui, mais pas tout de suite/ Pas trop vite."(...) Havia um pássaro e havia um peixe, e havia entre eles um amor de ternura sem fim: mas como fazer quando um está na água, e o outro lá em cima? Uma formiga de dezoito metros com um chapéu na cabeça - não existe, não existe. Uma formiga puxando um carro de pinguins e de patos feios - não existe, não existe. Mas porque não?, mas porque não? - perguntam os poetas. Mas porque não? - pergunta a Gréco. Ainda. Sempre. Com ela estaremos de novo mais altos do que no dia, mais longe do que na noite. Estaremos (vê, ouve, está) na luz deslumbrante do primeiro amor.»

Eduardo Prado Coelho

(
Nota: Gréco vem, de novo, em Outubro, a 14 e a 16, respectivamente à
Casa da Música, do Porto, e ao CCB, em Lisboa)