Riccardo Muti é um maestro discreto e circunspecto. No clip, gravado no dia dos 150 anos da reunificação italiana, virou-se para o público (que incluia o Presidente da República e o pantomimeiro Berlusconi, na altura chefe do governo) e reclamou os direitos da cultura e do cosmopolitismo que ele, Muti, tão bem representa. O momento era grave - a sua pátria bela estava, de novo, à beira de se encontrar "perdida". Sucedeu-se o da capo ilustrado no clip com o coro dos escravos hebreus (verdadeiro hino patrótico italiano) cantado, num ambiente de profunda emoção, em conjunto no palco e pelo Teatro inteiro. No ano que hoje começa, e por cá, vai pensamento, vai e inspira a pobreza de espírito. Diminui o sofrimento e redime a virtù perdida.
Va, pensiero, sull'ali dorate;
va, ti posa sui clivi, sui colli,
ove olezzano tepide e molli
l'aure dolci del suolo natal!
Del Giordano le rive saluta,
di Sionne le torri atterrate...
O, mia patria, sì bella e perduta!
O, membranza, sì cara e fatal!
Arpa d'or dei fatidici vati,
perché muta dal salice pendi?
Le memorie nel petto raccendi,
ci favella del tempo che fu!
O simile di Sòlima ai fati
traggi un suono di crudo lamento,
o t'ispiri il Signore un concento
che ne infonda al patire virtù.