
«Rui Rio tem todo o direito de não gostar de certas notícias que são publicadas na comunicação social e achar que elas foram ali plantadas para o prejudicar — em última análise, pode até ter razão, e boa parte da sua indignação ser inteiramente justificada. Só que depois ele mistura tudo — e é nessa misturada, muito musculada, muito avinagrada e muito pouco ponderada, que eu vejo emergir demasiadas vezes um genezinho autoritário, que à noite sonha humidamente com uma comunicação social bem ordenada, em que os jornalistas nunca se enganam e raramente têm dúvidas. Porque, afinal, basta perguntarem a Rui Rio onde está a verdade, que ele trata logo de informar (...). Mas uma frase como “a liberdade de imprensa também pára à porta da liberdade de todos nós” não quer dizer coisa absolutamente nenhuma e é até de uma assinalável estultice. O que a liberdade de imprensa mais faz é invadir a vida de gente que se tivesse a liberdade de escolher preferiria que nada se soubesse. Rio parece apreciar watch dogs mansinhos, que só ladram quando ele estala os dedos. Ao fim de mais de 30 anos na política, esta falta de cultura democrática é muito preocupante — sobretudo para quem anda a pensar instalar-se em Belém.»
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