3.9.10

A CAIXA DE PANDORA


Passei o dia de costas viradas para este repelente país que é Portugal, numa espreguiçadeira (dela via-se o mar que deixou de se ver da nova língua brasileira que é o português acordográfico) a ler, de fio a pavio e entre mergulhos, a história da Sita Valles. O país que estava atrás de mim - está assim e assim, tudo o indica, ficará para sempre -, antes de dois jogos de bola, abriu, pela mão da chamada justiça, uma caixa de Pandora. O que se passou hoje, na Expo, envergonha até o mau jurista que sou. E devia envergonhar - só não o faz porque eles a perderam ou nunca a chegaram a ter - alguns "jornalistas" portugueses que, mesmo analfabetos funcionais e lambedores compulsivos de diversificados e escolhidos rabos, já tinham "escrito" e mostrado o que foi lido na dita Expo. O ar de general Schwartzkopf da ex-revolucionária Catalina e as lágrimas crocodílicas do dr. Namora foram os únicos momentos cómicos de um dia triste. Triste para aqueles que são as verdadeiras vítimas de um crime chamado pedofilia que não tenho a certeza que tivesse sido julgado, até agora, em Portugal. Abriram uma caixa. Agora sintam o perfume que dela exala.

*foto: a Cuca, da reserva asinina de Trás-os-Montes, uma das poucas portuguesas que merece consideração


Adenda: Louvo o desassombro de Pedro Santana Lopes - que já foi 1º ministro de Portugal e que é um agente político em funções - por escrever isto e por interrogar o "maria-vai-com-as-outras" em vigor que promove e aplaude julgamentos de café: «Será mesmo verdade o que se ouviu nos telejornais? Será possível que vivamos num País em que se leiam sentenças, se anunciem as penas e não se leia a fundamentação nem se distribua o Acórdão donde ela deve constar? Ainda por cima, num processo como este, com o impacto mediático que tem... Já se conhecem as penas e não se conhecem os fundamentos? Se for verdade, é porque vivemos num regime que não é uma Democracia. Cada vez há mais sinais de que assim é.» O advogado Sá Fernandes pôs o dedo na ferida - país de trevas, país culturalmente atrasado onde o iluminismo (ou o racionalismo) nunca chegou a entrar a não ser pela via "estrangeirada" e em que a "comunicação social e cultural" não existe senão enquanto farsa.

Adenda2: Este blogue, relembro, não existe para agradar a ninguém muito menos à bovinidade maldosamente mansa e geral. Mesmo assim, e por muito que custe a juristas como o dr. Namora - que queria tudo norte-coreanamente em "prisão preventiva" depois de lido o acórdão -, até ao trânsito em julgado definitivo toda a gente se presume inocente (na "doutrina" Catalina é justamente o oposto: veja-se o que disse em directo acerca de Paulo Pedroso). Pelo menos foi o que me ensinaram quando ainda havia direito e faculdades dele.

48 comentários:

Anónimo disse...

Que mal lhe fizeram cerca de 5 milhões de portuguesas para não merecerem a sua consideração?

Ramiro Marques disse...

Costumo gostar muito do que o João Gonçalves escreve embora nem sempre concorde consigo. Desta vez, não gostei nem concordo.

Daniela Major disse...

Desculpe João mas não concordo consigo. O facto deste processo ter sido um circo mediático como aliás processos assim o são em vários países, não invalida o facto de que aquelas seis pessoas são culpadas e de que a sentença foi a correcta.

De facto, as pessoas que antes acusavam, a tal opinião pública que julga, não tem todos os factos, ou mesmo quase nenhuns. Mas eu acredito que os juízes tenham ou não?

João Gonçalves disse...

A resposta a estes comentários - e a outros eventuais do mesmo teor - está dada no corpo do post e na adenda. Se não percebem, metam explicador ou leiam coisas mais consensuais.

APC disse...

Sem querer fazer juízo de valor sobre a setença,ela mesma, não queria deixar de comentar a forma patética como o Sr. televisão (ex)continua a pretender controlar e manipular o povo que o aplaudiu e amou durante tantos anos. Só que desta vez, isto não é um concurso ele ainda não se deu conta disso.
E o seu advogado só acredita na Justiça se ela lhe for favorável, senão é o retorno da Idade Média à Justiça !

O Dr. João Gonçalves, julgo não ter escrito hoje e sobre esta matéria, o seu melhor post.

João Gonçalves disse...

APC - nem este acórdão escreveu hoje a melhor justiça. Aliás, já estava escrito noutras estrelas ou o APC nasceu ontem?

godinho disse...

Ao contrário de outros leitores, este é de todos o post em que mais concordo com o autor do blogue. Precisamente por ser crucial.

Faz sentido que este caso, por ser o caso mais típico da relação complicada entre os media e os tribunais - e que mais necessitava de uma explicitação inteira e completa daquilo que se entende por "verdade dos factos" fosse sentenciado por resumos ou excertos por conveniência mediática?

Estamos aqui num ponto de completo absurdo: Um tribunal lê excertos de um Acordão para que as televisões se despachem.

Há limites. Ou pelos vistos, não há.

Anónimo disse...

Fernando Rosas, num exercício de facciosismo e de hipocrisia fenomenais, "comenta" (o mais correcto seria dizer "sentencía como um Torquemada") neste momento o caso Casa Pia no incontornável programa do jornalista-crespo. Além do mais, por estar fisicamente em estúdio, e ser Paulo Motta-Pinto o seu contendor no debate (em Coimbra), permite-se - abusando - dizer sem oposição tudo o que vai na sua desonesta e revolucionária cabeça. Para este brilhante historiador-jurista-deputado, expôr a pedofilia dos pobres é bom; expôr a pedofilia dos políticos e poderosos é mau, sendo o garantismo sabotador dos ricos uma coisa boa; porque "ele" Rosas "viveu demasiado tempo sem garantias para querer abrir mão delas (SIC)". Isto tudo depois de ter admitido (ao menos isso...) que ser pobre e não poder pagar advogado famoso por 8 anos de processo "é mau". A Rosas - e não só a ele - ainda arrepia que um político possa ser pedófilo (já um padre, ele até aprecia); deve tê-lo arrepiado também ver o menino-maravilha do PS, Pedroso (tão querido de Ferro) ser levado para a grelha. Tudo isto se passou demasiado próximo da sua pessoa física; e o homem da liberdade e da justiça embezerrou. Nitidamente, porcarias processuais à parte, à sensibilidade esquerdil ainda faz muita "impressão" e "espécie" ver poderosos da política ir para a prisão. A prisão, na sua mente, ainda devia estar só reservada aos pobres. Assim está-se mais tranquilo e tem-se assunto para protestar e pedir justiça (em nome dos pobres).
TODA A GENTE, seja velha, seja nova, seja política, seja pobre, seja rica, seja gay ou seja heterosexual DEVIA CONSIDERAR A PEDOFILIA UM CRIME. Em tribunal logo se falará de atenuantes, se for disso o caso. Muita gente, neste país de vergonha, se sente desconfortável com todo o barulha à volta disto do "sexo com meninos e meninas". Aprendam. Já não estamos na Idade Média e no tempo das infantas casadoiras com 12 anos, ou dos jóvens efêbos-objectos sexuais. Pelo menos não se deveria estar.

Ass.: Besta Imunda

Anónimo disse...

Percebo um pouco de leis e percebo um pouco de jornalismo, ambos estudei e em certo medida, os dois continuo a "praticar", que mais não seja em consciência... Aquilo que posso dizer é que os dois universos continuam a portar-se de forma tonta. Mas hoje, creio que a Justiça esteve, apesar de tudo, melhor. Caberá ao colectivo de juízes explicar a opção por uma "sintese" na questão da falta de fundamentação. Durasse as horas que durasse, os dias que fossem necessários, mas não se pode nunca declarar a ou b culpado sem que lhes atribua, com rigor, e alguma exaustão, as razões de tal decisão. Quanto ao jornalismo, esse sim, continua mais próximo das práticas das peixeiras das lotas do que dos ensinamentos dos manuais de deontologia, aliás como não raras vezes aconteceu durante os 6/8 anos do caso. Hoje, a título de exemplo -e só faltavam as sete saias da Nazaré - bastava ver os directos da varina, perdão, jornalista Rita Marrafa de Carvalho/RTP. Por fim, de forma alguma ponho em causa a insenção dos juizes em ceder à pressão mediática querendo crucificar na praça pública meia dúzia de arguidos, num caso que a opinião pública clamava por sangue... Não seria isso que iria credibilizar um sistema já por si ferido - e pensemos nas razões que ilibaram o único arguido deste caso - e, aí, o responsável foi o legislador. Aos antigos casapianos, a minha mais sincera homenagem pela sua coragem. "O melhor do mundo são as crianças"(F. Pessoa). E eles foram o melhor de todo este processo. mf

Eduardo disse...

"Se não percebem, metam explicador ou leiam coisas mais consensuais" responde o Dr. João Gonçalves aos comentadores a quem lhes desagradou o seu texto.
Não lhe parece um bocadinho para o arrogante e soberba?
Não será verdade que o acordão conterá todas as justificações e esclarecerá quem tem de ser esclarecido e a seu tempo os que não são parte no processo?
Desta vez não estou de acordo consigo. Quanto à adenda: acredita mesmo que não existe justificação no acordão para o que foi sentenciado?

Cecília disse...

Excelente post, João G. Também tenho muita dificuldade em compreender que as pessoas não entendam o óbvio.

v disse...

Um caso sórdido - sem solução.

Anónimo disse...

O PCP está sempre por trás dos grandes "casos". Foi neste caso, foi no caso da "Moderna"... Não questiono a legitimidade do PCP estar por trás dos grandes casos (não há coincidências - eles são assim, chatos e perseverantes - ainda bem), mas questiono o seu posicionamento nos meios de comunicação social. Questiono o moralismo sobre questões que são de direito e não de julgamento público.

APC disse...

Caro João Gonçalves,
Nós os dois sabemos da nossa estima mutua,julgo. Não,não nasci ontem, mas nasci faz depois de amanhã 57 anos. Apesar de tudo, as minhas convicçõessobre isto ainda não mudaram. Com Sentença prévia nas estrelas, pressões dos Media ou outras coisas colaterais, eu penso o pior possível desta malta acusada: Cruz, Diniz, Abrantes, Marçal, etc.
Talvez e malgré tout eu seja um ainda um menino.

Anónimo disse...

Um mau arrazoado de um confessadamente mau jurista.

Santa paciência, é precisa muita. No que se refere à publicidade do processo, o código de processo penal exige apenas a leitura de uma súmula (quer dizer, um resumo) do acórdão, não mais do que isso. Donde, a fundamentação do acórdão (praticamente o corpo do mesmo) tenha de ser necessariamente sacrificada, tratando-se de uma peça processual com 1700 páginas. Qual o sacríficio dos direitos dos arguidos? Nenhum: terão acesso ao acórdão na sua integralidade (às suas 1700 páginas, cortesia da obsessão do legislador por megaprocessos) e a partir dessa data direito a recorrer no prazo legalmente previsto.

O resto são piruetas de advogados que afogam os tribunais superiores em recursos (dizem que mais de uma centena) e que, pelos vistos, têm muito sucesso pelo confessadamente mau jurista que escreve neste blogue.

Anónimo disse...

Depois disto tudo, o Bibi vai ficar dentro mais uns anos (são mais de mil crimes!), e os figurões bem relacionados (são só 1/2 dúzia de crimes a cada 1) gastam mais uns dinheiros com recursos e advogados e safam-se na "ralação" ou no "sepremo"...

E prontos...

PC

João Gonçalves disse...

O anónimo das "piruetas" é mesmo um péssimo jurista (pior do que eu)ou, em alternativa, exerce no Burundi. Quem entende que recursos são "piruetas" que "afogam" os tribunais superiores, fala por si e contra uma suposta civlização onde eu, pelo menos, fui educado.

Patrício disse...

Deve ser lixado ser julgado pelas patetices que um tipo faz quando é novo. Glória aos vencidos, como diziam os romanos.

Zé Rui disse...

Isto é o país das cabalas e das vitimas: Carlos Cruz, Socrates, Queiroz, Jardim Gonçalves, Rendeiro........

Porque será que relativamente ao "violador de Telheiras" ou ao Mario Machado dos Skinsheads, ou o Zé da esquina, ninguem tem estes sentimentos de desconfiança da Justiça????

Coisa estranha..........

Eduardo disse...

Houve alguma razão para não publicar o meu comentário. Se é que se pode saber? Sei q depende de si mas para quem lê o José da Porta fico sem perceber porque se colocou nesta situação.

javali disse...

No caso Freeport houve corrompidos, mas não houve corruptores. Neste caso, há corruptores mas não há corrompidos. Um paga pelo outro?

João Gonçalves disse...

Saltou apenas... e coloquei-me em que situação? Hoje está tudo muito pernóstico.

Anónimo disse...

O processo já estava expurgado para evitar melindres perigosos e, mesmo assim, demorou o tempo que se viu. Não havia uma única instituição arguida, nomeadamente a que tinha a guarda dos abusados. A justiça que temos é esta. Está perfeitamente à altura do país.

Eduardo disse...

"em que situação?"
Perder a credibilidade (passe o exagero, pois a divergência talvez seja pontual), que os seus posts em geral merecem e que certamente estimulam lê-lo. Não existindo conhecimento pessoal é pelo que escreve que se avalia o interesse.
Não é essa tb a sua intenção quando os publica?

João Gonçalves disse...

Mas o "interesse" confunde-se com a opinião pública e com a que se publica? Ou acha que, para não sair do tema, a dra. Catalina ou o dr. Namora são monumentos nacionais à credibilidade? Leia a frase do Sena ali ao lado. Acho que resume bem o que penso de tudo e de todos.

Garganta Funda... disse...

A verdade é que continua a haver uma justiça para pobres e pilhas-galinhas e outra para aqueles que têm poder (financeiro, politico ou mediático).

Foi quase obsceno assistir em todas as televisões a conferência de imprensa dum dos arguidos condenados a «comentar» a decisão do colectivo.

O referido arguido tem todo o direito de protestar, reclamar ou recorrer, mas nos termos, no local e no timing que fez, fê-lo ainda mais enterrar na pouca consideração que já tinha sobre ele.

Muito pior foram as televisões que venderam o «produto» sem qualquer «contrôle de qualidade» ou filtro para a ignara plebe.

Mais um «realty show» bem à medida dos interesses de quem nos (des) governa.

Uma boa «reentré», não haja dúvidas...

Anónimo disse...

João Gonçalves:

Recorrer por causa da falta de fundamentação de uma súmula oral de um acórdão com mais de 1700 páginas quando tal implicaria a leitura durante três ou quatro dias (com intervalo no fim-de-semana) da peça e quando tal não prejudica minimamente o direito ao recurso, nem os demais direitos de defesa do arguido, é uma pirueta. Que em linguagem técnica que até um mau jurista reconhecerá se chama abuso de direito ou até litigância de má fé. Aqui, como na Alemanha, Reino Unido ou Burundi.

O resto do seu comentário, em "súmula", não é mais do que uma evidente deturpação do meu comentário para salvar um post desastrado.

Eduardo disse...

"Mas o "interesse" confunde-se com a opinião pública e com a que se publica?"
Naturalmente que não. E esse desencanto, que está ao lado lembrado, toca-nos certamente. Mas não me confunda, nem a muitos dos seus leitores, creio eu, com colagens a personagens que não conhecemos, nem nos revemos.
A questão essencial tem a ver com o histerismo e com a dramatização que me pareceu bacoca dalguns protagonistas. E não estou a excluir a dita senhora ou senhor.´
A questão da justificação da sentença (de hoje em súmula) é um falso problema e nada que justifique o que foi dito e aparentemente segundo entendi por si aceite como uma situação absurda e inaceit+avel.
Só isso e é tudo.

João Gonçalves disse...

Não é um falso problema. É "o problema". Mas seguramente, e por aqui me fico, abriu-se uma caixa de Pandora que é o título do post relativamente ao qual não mudo uma vírgula. Vai ver.

Anónimo disse...

Caro João,
Mais uma vez discordo em absoluto com o (infeliz) post que escreveu.
Não sei se Catalina Pestana é mais cedível do que você ou eu mas o que ela disse na TVI sobre Paulo Pedroso - aliás com grande coragem - parece-me inatacável ou não? Se o João souber que é mentira diga-o.
Estou convencido que muita gente devia estar a ser julgada e não está e preocupa-me, enquanto seu leitor atento, que este tipo de crime não lhe motive reflexão mais cuidada.
Que gente das nomenclaturas partidárias comentem isto de forma, digamos, "sinuosa" compreende-se (todos terão telhados de vidro...) mas você não tem necessidade nem de os proteger nem de atacar quem teve a coragem de denunciar e arrostar com insultos e tentativas de descredibilização com o único intuito de acabar com o processo.
Clamava esta gente por justiça - e com razão - no tempo da ditadura. São mil vezes piores...
Cumprimentos.

MINA disse...

Esperemos que comece agora o verdadeiro processo. Há razões de sobra para supor que por detrás de tudo isto se ocultaram interesses políticos, ou outros.

Talvez a verdade, como o azeite, venha ao cimo da água.

A maioria dos comentadores deste post está obnubilada pela mediatização do caso. Até já se esqueceram do mais recente caso ocorrido em França, em que Chirac acabou por ter de pedir desculpas públicas em nome da França.

Anónimo disse...

Entretanto aumenta o preço do pão, a electricidade vai aumentar novamente e a água cada vez tem mais taxas. Ninguém refila. Estão todos estupefactos com a abertura da caixa de pandora! Ora bolas!
JSerra

Ramiro Marques disse...

Um post demasiado infeliz. Ainda assim, continuarei a lê-lo.

Anónimo disse...

Custa, não é?

É que como és rabo e tens cara de perverso deves ser pedófilo ou pederasta. E agora lamentas que os culpados tenham sido condenados. E ainda lamentas o pedroso, acusado pelo mesmos que acusam estes, salvo pela maçonaria que domina a justiça portuguesa (e não só)

Anónimo disse...

De facto, tudo parece bater certo. O Dr. João Gonçalves, que não gosta de crianças, não gosta de ver pedófilos condenados por "um crime chamado pedofilia". E acha que melhor seria não abrir esta caixa de pandora. E que se continuasse a abusar, "neste páis sem olhos e sem boca".

Isabel Lucena

MINA disse...

PARA O ANÓNIMO DAS 8:59 AM:

Não conheço a orientação sexual do autor do blogue, mas o facto deste comentador se lhe dirigir "como és rabo e tens cara de perverso deves ser pedófilo ou pederasta" é o melhor exemplo dos preconceitos que rodearam o julgamento do processo Casa Pia.

Vivemos num infeliz país e receio que as mentalidades inquisitoriais por cá permaneçam ainda muito tempo.

Sendo heterossexual (talvez um dia vire lésbica, nunca se sabe) só posso interpretar os termos do ANÓNIMO como um insulto ao autor do blogue por este pretender esclarecer alguns aspectos de um processo que tem tudo menos de claro e evidente.

Falaram os órgãos de comunicação social de que foram abusadas criancinhas, mas o que se vem a saber é que se tratou de adolescentes (a menos que o conceito de criança se venha a alargar até aos 18 anos) que, muito provavelmente, foram eles a abusar, porque são jovens, os senhores já com alguma idade que com eles se encontraram. Isto a acreditar que os factos são verdadeiros. Nesse caso seriam eles os abusadores e não os abusados, embora possa ser diferente a interpretação do Código Penal, aprovado pelos distintos deputados da Nação.

Também, admitindo que são verdadeiros os factos, não parece que tenham ficado muito traumatizados, ao visualizar-se na televisão as intervenções de dois deles, que se apresentaram bem vestidos, bem tratados, bem falantes, sem sombra de traumas psicológicos.

Quem sabe até se os contributos de eventuais "abusadores" não lhes terão permitido viver melhor, tirar cursos e "triunfar" na vida de melhor forma que outras colegas deles.

A prostituição (feminina e masculina) é a mais antiga profissão do mundo, como todos sabem, e tem prestado notáveis contributos a todas as civilizações, o que já a maior parte das pessoas ignora. Sempre existiu e sempre existirá, porque faz parte da natureza da Humanidade. Concordo plenamente que se tomem providências quanto às verdadeiras crianças, cuja capacidade para distinguir os seus actos é ainda insuficiente, mas defendo total liberdade aos outros para utilizarem o seu corpo como quiserem. Era já esse o entendimento da maior figura da cultura portuguesa do século passado, Jorge de Sena, intelectual muito citado neste blogue, em entrevista a um conceituado jornalista português, alguns anos antes de morrer.

Karocha disse...

JG

Não gosto deste post, como sabe gosto do seu blog.
Numa coisa tem razão, foi aberta a caixa de pandora!

Eduardo F. disse...

Caro João,

Dito o que devia ser dito. Antes das adendas e depois delas.

jpt disse...

Já li o post, as adendas e até os comentários. O tema em questão não me interessa nada. Mas confesso que não percebo qual a razão porque desvaloriza V. as portuguesas (bem, presumo que seja esse sentido do elogio à ditosa Cuca) e deixa de fora os patrícios de tal comparação. Pela parte que me toca agradeço-lhe deixar-me acima da Cuca em mérito (ou, pelo menos, foi isso que entendi do post, suas adendas e, repito, até comentários). Mas não percebo a graça que nos faz

Pedro Góis Nogueira disse...

Excelente post. Corajoso. Com o(s) dedo(s) na ferida(s). Os comentários de anónimos da praxe a enfiar desnecessárias carapuças. Eu também achei muita coisa estranha e isso não implica que esteja do lado dos condenados. Ou implica?

Anónimo disse...

Penso que o autor, pese embora o exagerado "forçar de nota" de alguns aspectos, faz uma caracterização muito exacta do estado da justiça. O problema é a autêntica lavagem cerebral a que as pessoas se sujeitam e as levam a assumir posições perfeitamente irracionais.
Mas enfim, isto é Portugal!

Ana Cristina Leonardo disse...

MINA, a senhora (se for o caso) é uma atrasada mental. C'est tout.

Red Eagle disse...

Meu caro amigo
Apesar de nem sempre concordar consigo, não posso deixar de manifestar que este post está muito bem escrito. E eu concordo com ele quase a 100%.

João Gonçalves disse...

Ana Cristina - V. anda um bocado "aciganada". Está na hora de passar para a tenda.

Ana Cristina Leonardo disse...

Ana Cristina - V. anda um bocado "aciganada".

é das leituras...

MINA disse...

PARA ANA CRISTINA LEONARDO:

Lamento que a senhora (não direi, "se for o caso") não tenha outros argumentos para criticar o meu texto, salvo chamar-me "atrasada mental". É, de facto, um sinal dos tempos. Afinal, o seu comentário corrobora tudo o que escrevi. Quando não existem argumentos, passa-se ao insulto.

Cumprimentos.

Ana Cristina Leonardo disse...

MINA, minha senhora (se for o caso). Acha pois a MINA que o seu chorrilho de disparates sobre as "criancinhas" que presumivelmente deviam estar, elas sim, no banco dos réus por enrabaram senhores já com alguma idade é argumento? Minha senhora (se for o caso), eu não a insultei, verifiquei apenas que era parva. E, além de parva, desprovida de sensibilidade (que é a parte mesmo grave, irremediável e transversal a todos os tempos). Ou então a sensibilidade ficou-lhe toda para os senhores de uma certa idade. Tenha juízo e vá mandar cumprimentos à sua tia. Quanto à mais antiga profissão do mundo, nada contra - consentida e entre adultos. E se não percebeu a diferença entre uma coisa e outra, como costuma dizer o digníssimo dono deste blogue qd lhe puxa o teclado para a ciganada, meta explicador.

Isabel disse...

Durante as férias tive conhecimento de abusos sexuais sofridos há décadas por dois jovens que conheço relativamente bem. Um deles ocorreu em ambiente doméstico e a menina é hoje uma jovem adulta com esquizofrenia diagnosticada. O outro é um caso de finger-fucking público, em contexto escolar.O jovem adulto é hoje um alcoólico. A maldade humana é ilimitada e as suas consequências imprevisíveis. Durante décadas ignorei a causa das perturbações graves desses dois jovens. Penso que, na altura, qualquer dos casos foi relativamente desvalorizado pelas famílias ou que foram impotentes para os enfrentar. Com estas observações pretendo apenas transmitir que estranhei inicialmente o Post da polémica, considerando sobretudo que tinha acabado de ler o Do Portugal Profundo, que igualmente prezo, e que exprimia opinião que me pareceu o oposto da aqui encontrada.Tentando uma súmula, diria hoje que compreendo e respeito ambos. Há algo que o comentarista Besta Imunda, com a sua brilhante lucidez sublinhou e que une os aparentes antagonismos: importam as crianças, importam as mentalidades, importa o desgraçado primitivismo deste povo apascentado por gente menos do que duvidosa. E tudo isto foi muito pouco, muito fraco, nada me retirando a ideia de que a nomenclatura de , pelo menos, um partido,conseguiu retirar da nossa mira figuras e figurões que deveriam ter sido julgados.