7.4.10

YSL EM PARIS

Em Paris, mais propriamente no Museu de Belas Artes (dito Petit Palais), está "patente" (que termo horroroso) até 29 de Agosto uma retrospectiva do trabalho de Yves Saint Laurent, intitulada Uma Modernidade Intemporal. Os franceses são muito dados a celebrar os seus mortos com circunstância e embora este seja recente (morreu em Junho de 2008), experimentou várias mortes em vida. Parace paradoxal num homem que se dedicou a embelezar o mundo mas o paradoxo desaparece se pensarmos que todos aqueles que fizeram disso uma vida estiveram, afinal, sempre a tratar da morte. Neste sentido, YSL teria qualquer coisa de "filósofo" e muito pouco de comerciante de belos trapos. Esta parte ficou para Pierre Bergé, o companheiro socialista e mundano, que fez de YSL mais uma propriedade sua do que alguém que apenas dormia com a pessoa que amava. Mas isso é mais da vida, da nossa vida, e YSL era manifestamente de ailleurs. «Tout homme pour vivre a besoin de fantômes esthétiques. Je les ai poursuivis, cherchés, traqués. Je suis passé par bien des angoisses, bien des enfers. J'ai connu la peur et la terrible solitude. Les faux amis que sont les tranquillisants et les stupéfiants. La prison de la dépression et celle des maisons de santé. De tout cela, un jour je suis sorti, ébloui mais dégrisé. Marcel Proust m'avait appris que "la magnifique et lamentable famille des nerveux est le sel de la terre". J'ai, sans le savoir, fait parti de cette famille. C'est la mienne. Je n'ai pas choisi cette lignée fatale, pourtant c'est grâce à elle que je me suis élevé dans le ciel de la création, que j'ai côtoyé les faiseurs de feu dont parle Rimbaud, que je me suis trouvé et compris que la rencontre la plus importante de la vie était la rencontre avec soi-même.» Não sei se acabou por se encontrar consigo mesmo como desejava. Talvez não. A raça altiva a que pertencia não tem facilidades dessas gravadas no código genético. Apenas solidão e vazio. E o que é que isso importou?

9 comentários:

Anónimo disse...

Leio as palavras de YSL, que tinha lido já algures e não posso deixar de me dizer: "mas, enfim, o homem limitava-se a fazer vestidos", lembrando que os também filmes são apenas filmes como sabia Hitchcock. Mas, penso que por entre estas observações escapa qualquer coisa, que é ser injusto para quem é acusado de ter contribuído para a androgenia e, mediatamente, para o relativismo dominante, e acabo por aquiescer: quem é um alvo credível de tais afirmações - com que não deixo de concordar um pouco - tem direito a ter sido perseguido pelo medo e pela solidão.

Ana Cristina Leonardo disse...

O YSL era um Grande Senhor que gostava de ter inventado as jeans.

Karocha disse...

Mas inventou algo mais chic o, Smoking feminino!

Silveira disse...

Agora, que lemos por toda a parte "no smoking" de que é que isso vale?

Karocha disse...

De muito.

Karocha disse...

Ele fica para a história, você e eu não.
Entende?

Anónimo disse...

D. KAROCHA
O J.G não é estupido, nem nada que se lhe assemelhe, portanto deixe-se dos seus pseudo comentários que não dizem nada, somente a D.KAROCHA A TENTAR BRILHAR NA SUA MEDIOCRIDADE.........

Karocha disse...

Silveira
Presumo que sabe francês.
Passou por tudo aquilo?
Foi propriedade de alguém?
Por acaso ou não , tenho uma peça dele, quando estagiava,uma obra de arte!
Devia estar na exposição, mas é minha, e não a dou a ninguém, muito menos a proprietários de almas!

Karocha disse...

Anónimo
Nem o JG. é estúpido, nem eu!
Porque não vai embirrar comigo no meu blog???