19.4.10

DOS SERVOS


Numa entrevista ao jornal "i", António Barreto afirmava que os deputados são servos e que, para além disso, apreciam sê-lo. Isto, que poderia parecer à primeira vista ofensivo, está certo. Servos para representar um povo de servos. Um exemplo. O governo socialista resolveu conceder tolerância de ponto geral no dia 13 de Maio, um dos dias da visita do Papa a Portugal. Algumas câmaras também. Imediatamente levantou-se um coro de indignação farisaica. Uns por causa da laicidade - que é uma espécie de putidade intelectual que serve para tudo e para nada -, outros por causa do alegado estado comatoso da pátria que não pode passar sem um dia de trabalho. Neste derradeiro amontoado "cívico" apareceram, de mãos dadas, as entidades patronais e os srs. Carvalho da Silva e João Proença. Curiosamente alguns dos sindicatos que esta dupla de múmias paralíticas tão zelosamente representa, tencionam decretar uma greve (pelo menos dita "geral" no sector dos transportes) no dia 27 de Abril. Então e a pátria? E os trabalhadores que têm de ir trabalhar? Os sindicatos, nesse dia, já "dão" tolerância de ponto? Enfim. O episódio da dita apenas revela duas coisas. Intolerância e servidão.

Adenda: Veio aqui um "lembrar-me" que Carvalho da Silva era doutorado. Isso porventura desmumifica-o?

11 comentários:

Anónimo disse...

O sr Ricardo Alves, destacado membro de uma coisa que se chama "república e laicidade", proclamou-se indignado com a tolerância de ponto do dia 13 de Maio e evocou a inconstitucionalidade desta "incursão religiosa" nos domínios do Estado laico.
Devemos prestar-lhe uma sentida homenagem em nome da "ética republicana" e lembrar-lhe que ainda há uns quantos crucifixos em lugares públicos que precisam de ser removidos ... que triste gente !

Anónimo disse...

A subserviência é algo confrangedor.

Anónimo disse...

Embora respeite a liberdade religiosa também eu critico a tolerância proposta pelo governo.
Nestes dias em que nos pedem sacrificios a todos, começa pelo governo o mau exemplo.
E sim, eu sou ateu.

Anónimo disse...

Carvalho da Silva é doutorado e você, João Gonçalves, não é.

Jacinto disse...

Mais pró "dótorado" , caro anónimo, mais pró "dótorado".
"Isto " é portugal onde, não se esqueça, se imita (mal) o que se faz "lá fora". O "dótoramento" do homem foi manufacturado e entregue na oficina iscte - garantia do prazo de entrega do "título" contra pagamento estipulado...e de nada mais.

Alves Pimenta disse...

Doutorado? Pois. Naquela coisa, o ISCTE. Deixem-me rir, antes que isto tudo vá à falência.

Anónimo disse...

Será por esta mesma razão, subserviência ou respeitinho, que Manuel Pinho, Presidente da comissão de candidatura do 2018 Ryder Cup Golf e ex funcionário do BES, escolheu a Comporta em detrimento do Algarve? É que enquanto estes têm cerca de 40 campos e são um destino conceituado na modalidade, a Comporta, do grupo BES, não tem ainda nenhum!
O que levanta outra questão: quem manda nesta xafarica?

Anónimo disse...

Carvalho da Silva é um homem bom. Não merece estas ofensas.

Anónimo disse...

Não sei se ouviram um locutor da televisão(já não sei se foi na SIC Notícias ou na RTPN) a ler "sêrvos" em vez de servos com o "e" aberto. Que tristeza!

Anónimo disse...

Doutorado em Greves e Manifestações pela Universidade Vladimir Ilich Ulianov.

Anónimo disse...

Foram dadas tolerâncias por altura do Natal e da Páscoa,para essas não houve qualquer tipo de oposição.